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Resultado de imagem para ''Barraco tem nome e sobrenome. Raquel Dodge''

Em novo vazamento de mensagens obtidas pelo site The Intercept e publicados pelo portal El País, nesta sexta-feira (9/8), procuradores comentam a atuação da procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, na Lava-Jato e discutem a possibilidade de repassar informações secretas a jornalistas para pressioná-la a liberar delações ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma das mensagens divulgadas, o procurador Januario Paludo chega a dizer: ”Barraco tem nome e sobrenome. Raquel Dodge.” De acordo com o El País, Dodge era vista como uma espécie de inimiga pela força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba. Dias antes de ela ter sido indicada à PGR pelo então presidente Michel Temer em 2017, o procurador Deltan Dallagnol disse que “Dodge se aproximou de Gilmar Mendes e é a candidata dele a PGR”. Essa proximidade entre Dodge e o ministro do STF Gilmar Mendes é um dos pontos de desconfiança. Em uma conversa de 2018, Deltan disse que Dodge apenas não confronta Mendes porque quer um cargo no STF, tão logo o mandato de PGR acabe. Ainda segundo o El País, outra crítica dos procuradores é a morosidade de Dodge em homologar acordos de delação.  Um desses casos, seria o acordo com o empreiteiro Léo Pinheiro, assinado em dezembro de 2018, mas que, até hoje, não teria sido enviado ao Supremo. 

Usar a imprensa 

Em 29 de junho de 2018 — um dia depois de o procurador Athayde Ribeiro Costa ter perguntado sobre a evolução do caso de Léo Pinheiro e o integrantes do grupo “OAS-Curitiba-acordo” discutirem as férias de Dodge —, Dallagnol propõe aos colegas pressionar Dodge “usando a imprensa em off” ou pressionar a PGR a apresentar um prazo limite para o encaminhamento. “Dá saudades do Janot”, Dallagnol comenta ao se referir a Rodrigo Janot, ex-PGR. A saudade de Janot não é comentada apenas com os colegas, como mostra o El País. Em conversa  datada de 16 de julho de 2015, quando Janot ainda era o PGR, o procurador diz ao colega que ele [Janot] “permitiu que esse trabalho integrado acontecesse, a começar pela criação da FT e todo apoio que deu e dá ao nosso trabalho. Você merece um monumento em nossa história”, disse.   

Relação Dodge e Lava-Jato

Em 12 de agosto de 2018, Dodge enviou a Dallagnol um link com uma matéria do jornal O Globo que comentava os atritos entre a PGR e a Lava-Jato. O procurador, no entanto, nega ter passado informações a jornais. “É uma pena que problemas dentro da instituição acabem expostos na imprensa. Como lhe disse, não temos essa prática de notas”, escreveu. “Confio que terá sabedoria para ouvir frustrações com serenidade, avaliar criticamente o que é pertinente e usar isso para fortalecer os relacionamentos e o trabalho que é de todos nós”, aconselhou Dallagnol. 

O procurador Anderson Lodetti é mais incisivo: “Raquel está destruindo o MPF, achincalhando a gente…[…] teria que ser incinerada publicamente, internamente e internacionalmente”, disse no grupo do Telegram, quando Dodge não comentou a decisão do ministro Alexandre de Moraes de ordenar buscas e apreensão contra militares e procuradores sobre fake news. A relação entre a PGR e a força-tarefa da Lava-Jato de Curitiba piorou quando Dodge decidiu sobre o futuro do dinheiro de multas pagas pela Petrobras nos Estados Unidos. Segundo o El País,a PGR foi até o Supremo pedir a anulação do acordo firmado entre procuradores e autoridades norte-americanas que resultaria na criação de uma fundação para gerir R$ 2,5 bilhões desviados por corrupção“O barraco tem nome e sobrenome. Raquel Dodge.

O Oswaldo instaurou pgea para pedir informações sobre o acordo”, disse o procurador Januario Paludo no grupo Filhos do Januário 4.

A procuradora deixa o cargo em 17 de setembro deste ano. E cabe ao presidente Jair Bolsonaro decidir o próximo nome a comandar o Ministério Público. Ainda não se sabe se ele seguirá a lista tríplice. 

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