Bruna Hamú (Foto: Sergio Baia)Bruna Hamú (Foto: Sergio Baia)Bruna Hamú (Foto: Sergio Baia)
Bruna Hamú (Foto: Sergio Baia)

LICENÇA-MATERNIDADE
Mãezona, Bruna teve a vida transformada com a chegada de Julinho, seu primeiro filho com o empresário Diego Moregola. Nascido em abril de 2017, o menininho arrebatou o coração da atriz, que passou os últimos dois anos dedicada exclusivamente a ele. “Me descobri apaixonada por ser mãe”, derrete-se.Aos 29 anos, Bruna, que começou a carreira como modelo aos 19, fez sua estreia na Globo em 2013 e esteve no elenco de três novelas: Sangue BomMalhação: Sonhos A Lei do Amor, onde descobriu que estava grávida. “Foi tudo muito no susto”, lembra a atriz, confessando que está feliz com o carinho que vem recebendo do público. “Sempre recebia direct [no Instagram, onde tem 3,6 milhões de seguidores] dos fãs me cobrando fazer novela e quando eles ficaram sabendo ficaram bem excitados com a notícia”, comemora.Morando em São Paulo, ela se mudou para o Rio para gravar a novela e, por isso, tem passado a semana longe do marido e do filho. “Sinto que ele sofre mais na hora de dormir. Tenho conseguido ligar para ele por vídeo mais à noite. E ele fica mal porque sempre o fazia dormir, era a hora de ‘nanar’. Outro dia ele até brigou comigo: ‘naná, mamãe, naná!’ Ele não entendia, porque o Diego vai trabalhar e volta, eu não volto. Mas ele está bem, está muito bem amado e bem cuidado pelas avós”, garante.

INÍCIO DA CARREIRA
“Morava em Brasília, onde já tinha feito um book fotográfico, e quando estava com 19 anos fui para São Paulo sozinha, bati na porta de uma agência de modelos e falei: ‘oi, sou a Bruna, adoraria trabalhar’. Apresentei as fotos para eles e em um mês fui para Tóquio. Foi tudo muito rápido, era uma menina. Foi maravilhoso em Tóquio, as pessoas me acolheram super bem. O mercado da moda de lá é diferente, é mais comercial. Depois fui para Paris. Fui do oito para o oitenta. Para mim foi um choque muito grande porque o mercado de moda de Paris é muito exigente quanto a padrão. Modelo tem que ser magra, é uma exigência da profissão. Mas lá tinha que ser esqueleto. É um mercado muito fashion”.

PADRÕES
 “Nunca tinha feito dieta. Nem entendia esse mundo, não sabia o que fazer. Já cheguei em Paris um pouco acima do peso porque engordei em Tóquio. Só que não me preocupava. Eles me mediam com fita métrica toda sexta-feira. E tinha o pocket money da semana que era o dinheiro que eles davam para comer, andar de metrô e ir para os castings. Se estivesse acima do peso, eles me davam metade do pocket money. Para mim foi um choque bizarro e já entrou no meu psicológico que não podia comer”.

“Em vez de não comer, comia mais. E fui engordando, engordando, engordando. E começou o negócio: ‘já que não posso comer, vou vomitar’”

DISTÚRBIO ALIMENTAR
O povo francês não é muito acolhedor, é mais frio, seco. Fui ficando cada vez mais sem vontade de estar ali. Morava com mais duas meninas, uma da Rússia e outra da Polônia. Uma delas já tinha tido anorexia nervosa e passava o dia inteiro me mostrando fotos dela e contando sobre o distúrbio alimentar. Isso foi entrando cada vez mais na minha cabeça, ela me contaminou. Não queria mais estar lá, mas descobri que não podia voltar por uma questão de passagem. Fui ficando cada vez pior e não podia comer. Em vez de não comer, comia mais. E fui engordando, engordando, engordando. Acho que engordei uns 10 quilos em Paris. E começou o negócio: ‘já que não posso comer, vou vomitar’. Porque a outra menina passava o dia inteiro no meu ouvido falando sobre essas coisas. Quando vi, fiz isso duas vezes e pensei: ‘não estou bem! Para!’ Liguei para a minha mãe e disse que estava acontecendo isso. Minha tia pegou um avião e foi para Paris me ver. Graças a Deus consegui botar minha cabeça no lugar.

Bruna Hamú (Foto: Sergio Baia)

VOLTA À TV
“Já estava querendo voltar ao trabalho e avisei sobre meu desejo ao meu empresário [Átila Migliari]. Quando surgiu o teste para A Dona do Pedaço, meses atrás, cheguei a fazer, não sei nem para que personagem era, só que não rolou e pensei: ‘vida que segue’. Continuei minha vida e a Joana surgiu no começo de agosto, foi tudo muito rápido. O Átila me ligou e falou: ‘tem uma personagem nova que vai entrar na novela e eles estão pensando no seu nome. Você toparia?’ Falei: ‘claro! Sem dúvidas’. Ele avisou que a resposta sairia em dois dias. Foi tudo muito rápido! Dois dias depois ele me ligou e pensei: ‘atendo ou não?’ [risos]. Quando atendi, ele falou: ‘é você!’ Fiquei extremamente feliz porque já queria voltar. E nunca tinha feito uma novela do Walcyr [Carrasco, autor de A Dona do Pedaço]. Sempre admirei muito o trabalho dele, acho um gênio”.

“Os fãs são bem sinceros. É bom esse retorno, porque quando a crítica é construtiva, acho que vale, absorvo

TORCIDA
“Fiquei bem feliz de ver a reação das pessoas com a minha volta. Já me perguntavam quando ia voltar para a TV, sempre recebia direct [no Instagram] dos fãs me cobrando fazer novela e quando eles ficaram sabendo ficaram bem excitados com a notícia. Até reabri minha conta no Twitter [tinha desativado] para ver o movimento dos fãs. Eles são bem sinceros. É bom esse retorno, porque quando a crítica é construtiva, acho que vale, absorvo”.

NOVA ROTINA
“Sofro mais que o Julinho com a minha mudança para o Rio para gravar a novela. Até porque meu filho é uma criança muito independente, ele ama ir para a escola, brincar com os amiguinhos. Sinto que ele sofre mais na hora de dormir. Tenho conseguido ligar para ele por vídeo mais à noite. E ele fica mal porque sempre o fazia dormir, era a hora de ‘nanar’. Outro dia ele até brigou comigo: ‘naná, mamãe, naná!’ Ele não entendia, porque o Diego vai trabalhar e volta, eu não volto. Mas ele está bem, está muito bem amado e bem cuidado pelas avós. Ele fica com o Diego, minha sogra e  minha mãe também, que se mudou para São Paulo em julho e deu tudo certo. Ele está rodando de casa em casa, mas está feliz. Fico tranquila porque sei que ele está sendo bem cuidado, não está com uma pessoa desconhecida. Ele ama minha mãe, minha sogra, o pai dele. Mas sei que sente saudade de mim”.

Bruna Hamú (Foto: Sergio Baia)

GRAVIDEZ
“Engordei 18 quilos na gravidez. No final chutei o balde [risos]. Se queria comer chocolate, comia. Lembro que passei uma época na Bahia e fazia brigadeiro de panela e comia tudo. Porque no final da gestação tinha muita vontade de comer doce. Minha gravidez foi tranquila, não enjoei muito. Descobri um pouco tarde, só no terceiro mês. Até o quarto mês só conseguia comer alimentos gelados, se sentia cheiro de comida já ficava enjoada. Tomei vitamina e comia salada até o quarto mês. Minha barriga começou a aparecer no sexto mês. Até então não tinha muita barriga”.

A nova rotina com o bebê é delicada, tem a falta de sono, a amamentação. Mas nasce um bebê, nasce uma mãe. Aprendi muito com meu filho”

SURPRESAS
“Quando o Julinho nasceu fui aprendendo a ser mãe. O puerpério foi muito difícil para mim. Porque as pessoas não te contam o que realmente acontece. Cesárea é uma operação e tem toda a dificuldade de uma cirurgia. A mulher grávida está com os hormônios à flor da pele, a mil por hora. Fiquei extremamente sensível. Minha vida mudou em 360 graus, trabalhava, estava acostumada com a minha liberdade, não ficava em casa, estava sempre fazendo alguma coisa. E depois da maternidade, tinha um bebê que era complemente dependente de mim e tinha que ficar em casa com ele. Amava isso, óbvio! Mas começou a me bater o lado mulher, profissional. Via meu marido sair para trabalhar – porque o homem continua a vida normalmente – e isso me pegou um pouco também, essa parte da liberdade e da profissão. A nova rotina com o bebê é delicada, tem a falta de sono, a amamentação. Mas nasce um bebê, nasce uma mãe. Aprendi muito com meu filho”.TRIBUNAL DA MATERNIDADE
“Mulher se julga muito. Por mais que outra mãe diga que ‘está com você’, no fundo ela está te julgando. Tudo é motivo para julgar outra mulher na maternidade: ‘ou porque ela não amamentou, ou porque decidiu por cesariana em vez de parto normal, ou porque deixa o filho ficar vendo desenho no iPad. Tudo é um problema. Não vejo as mães se apoiando muito, vejo mais se julgando. Acho que é um problema da mulher em si, ainda noto que falta empatia entre as mulheres. Vejo mais empatia entre os homens, no sentido de se apoiarem, de não se julgarem tanto, de respeitarem a individualidade de cada um”.

“Não vejo as mães se apoiando muito, vejo mais se julgando. Ainda noto que falta empatia entre as mulheres”

INSEGURANÇA
“Quando o bebê nasce, você vê aquela coisinha na sua mão e pensa que ele depende 100% de você para fazer tudo. E daí já vem um pensamento do tipo: ‘como é que vou educar essa criança, como é que vai ser?’ Passa uma novela de preocupações na cabeça. Mas isso foi mais no primeiro mês, depois fui me ajustando, entrando na minha rotina, me adaptando. A nossa ligação foi crescendo também. A amamentação é muito importante para aumentar o elo entre mãe e filho. Não fui conseguindo mais me desgrudar dele. Na minha cabeça queria ficar com ele até um ano de idade. A criança muda muito rápido, queria vê-lo crescendo, se desenvolvendo. Pensei: ‘quando ele fizer um ano, volto a trabalhar’. Mas ele foi crescendo e fui me apegando mais e quando vi já não conseguia mais desgrudar dele, estava completamente envolvida”.

Bruna Hamú (Foto: Sergio Baia)

AMOR INCONDICIONAL
“Sou muito apaixonada pelo meu filho. Me surpreendi totalmente com a mãe que estou sendo. Quando engravidei – até então não planejava ser mãe, estava completamente focada na minha carreira – foi uma surpresa, não tinha pensado ainda sobre que tipo de mãe seria. Minha vida mudou completamente com a gravidez. Mas Deus é muito bom, sabe o que faz. Hoje olho para trás e entendo o que aconteceu. Me transformei completamente depois da maternidade. De lagarta estou virando borboleta. Porque a transformação é constante. Aquela criancinha que dependia de mim completamente me ensinou muito mais do que aprendi na minha vida inteira. Amadureci muito!”

JULINHO
“Meu filho é minha xerox. Ele tem uma personalidade muito forte e é uma figura. Gosta de tudo o que é relacionado à música. Hoje ele já não quer mais que eu escolha a roupa dele, ele tem que escolher sozinho. No frio ele não quer colocar casaco e calça, quer colocar bermuda e camiseta. Eu falo: ‘filho, qual é a chance de você sair nesse frio de bermuda e camiseta?’ E ele faz birra, é o que ele quer e pronto. Óbvio que não vou deixar a criança passar frio, mas tem que ter toda uma conversa. Se deixar ele manda em mim. E ele tem dois anos! [risos]”

“Aquela criancinha que dependia de mim completamente me ensinou muito mais do que aprendi na minha vida inteira”

MUDANÇA
“Quando engravidei, todo mundo falava: ‘você vai ver, é maravilhoso e não sei o quê’. Então estava esperando um negócio transcendental e não é. Fiz uma cesárea, me cocei inteira na hora da cirurgia, foi uma agonia. Já achei que estava passando mal porque não conseguia respirar. Quando ele nasceu, o levaram correndo para uma salinha e comecei a chorar de desespero. As pessoas romantizam demais a maternidade e não é tão romântico assim. É a melhor coisa da vida, incentivo todo mundo a ser mãe, é realmente transformador, mas não é fácil”.

CLICHÊS
“Hoje entendo muito mais a minha mãe. Acho que a maternidade é onde todos os clichês se tornam reais. Falo clichê toda hora. Eu e minha mãe brigávamos muito, somos parecidas em algumas coisas e muito diferentes em outras, batia muito de frente com ela e depois que meu filho nasceu, falei: ‘cara, coitada da minha mãe!’ Até pedi desculpa: ‘mãe, desculpa, hoje te entendo 100%’”

CRIAÇÃO
“Educar é muito sério. É um ser humano que você está criando para o mundo e, a meu ver, tenho total responsabilidade pela educação dele. Não é algo que você controla, tem a influência da sociedade, dos amigos. A gente se transforma todos os dias pelos nossos filhos. Acho que o exemplo é tudo na vida. Tento me transformar para o Julinho, para que ele seja uma pessoa melhor do que fui”.

PARCEIRO
“O Diego é um paizão. Antes de ser pai, ele já gostava muito de criança. Ele vê uma criança e brinca. É muito engraçado porque quando vamos buscar o Julinho na escola, ele se diverte. Quando olho todas as crianças do pátio estão correndo atrás do Diego. Ele é meio recreador, é super extrovertido, gosta de brincar com as crianças. Ele se joga no chão com o Julinho, se diverte, toma banho junto, faz dormir”.

“Por mim teria uma família gigante. Mas acho que não vai ser possível. Com dois ou três filhos, paro”

CASAMENTO
“Oficializamos a união no dia 29 de julho do ano passado em São Paulo. Julinho foi pajem, foi bem bonitinho. Diego falou: ‘vamos casar?’ Mas queria que o Julinho entrasse, então esperamos ele conseguir andar. Conheço o Diego há oito anos, mas começamos a namorar há quatro ou cinco. Ele foi a primeira pessoa que conheci quando cheguei em São Paulo. Ele me incentiva muito. Na época que não conseguia me desgrudar do Julinho, pensava: ‘volto ou não volto ao trabalho?’ Cheguei a pensar em adiar mais um pouco, mas o Diego falava: ‘você tem que voltar, você batalhou por isso, olha onde você chegou’. Ele ficou muito feliz com a minha volta. Se meu marido não me incentiva no meu trabalho não vejo muito como dar certo. Ele evita ver as cenas de beijo, mas não tem ciúme, não demonstra pelo menos [risos]”.

MELHOR PAPEL
“Me descobri apaixonada por ser mãe. Tenho vontade de ter mais filhos, mas agora não. Amo poder cuidar e me doar. Sempre tive minha irmã, Natália, e acho superimportante ter alguém que vai estar com você para o resto da vida. Por mim teria uma família gigante. Mas acho que não vai ser possível. Com dois ou três filhos, paro. Vamos aos pouquinhos. Diego tem quatro irmãos, ele é o quinto. Até gostaria de ter mais filhos do que ele”.

Bruna Hamú (Foto: Sergio Baia)