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REFLEXÕES DO PASSADO E PRESENTE: PERSPECTIVA DE MELHORA PARA O FUTURO


 

Agricultura

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Ogoverno federal lançou nesta quarta-feira (17), no Palácio do Planalto, o Plano Safra 2020-2021, com R$ 236,3 bilhões para apoiar a produção agropecuária nacional, um aumento de R$ 13,5 bilhões em relação ao plano anterior. Os financiamentos poderão ser contratados de 1º de julho de 2020 a 30 de junho de 2021. A cerimônia ocorreu no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Jair Bolsonaro e da ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Do total, R$ 179,38 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização (5,9% acima do valor da safra passada) e R$ 56,92 bilhões serão para investimentos em infraestrutura (aumento de 6,6%). Todos esses recursos vão garantir a continuidade da produção no campo e o abastecimento de alimentos no país durante e após a pandemia do novo Coronavírus.

Os recursos destinados aos investimentos cresceram em média 29%. Durante o lançamento do Plano Safra, o presidente Jair Bolsonaro destacou que a produção agrícola não parou durante a pandemia, garantindo o alimento para toda a população brasileira. “Todos os países têm como objetivo a segurança alimentar. A cidade pode parar, mas se um dia o campo parar, todos sucumbirão”, disse Bolsonaro.  A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que o Plano Safra continua focado nos pequenos e médios produtores. Segundo ela, o incentivo à produção sustentável também tem destaque na safra 2020/2021, que vem com mais recursos e melhores condições de financiamento, a juros mais baixos. “Semear, plantar, cuidar, esperar florescer e enfim colher os frutos da terra é e sempre será algo essencial e belo. Uma atividade totalmente ligada à natureza só pode ter como caminho a busca da sustentabilidade”, destacou a ministra.  Ela também lembrou que, graças ao trabalho do agro e das áreas de transporte e logística, o Brasil manteve o abastecimento em todo o país e honrou os compromissos com seus parceiros comerciais.  “O esforço do governo Jair Bolsonaro para viabilizar esse Plano Safra é um reconhecimento às conquistas e ao potencial do setor que está pronto para contribuir para a retomada econômica”.

O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Eduardo Sampaio, disse que este é o maior Plano Safra já anunciado. “Representa um esforço grande do governo para proporcionar aos agricultores melhores condições. Também é a garantia de que os alimentos continuarão chegando à mesa dos brasileiros e de que o Brasil continuará sendo um grande exportador de alimentos”, disse.

Pequeno e médio produtor

Os pequenos produtores rurais terão R$ 33 bilhões para financiamento pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com juros de 2,75% e 4% ao ano, para custeio e comercialização. Para os médios produtores rurais, serão destinados R$ 33,1 bilhões, por meio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), com taxas de juros de 5% ao ano (custeio e comercialização). Para os grandes produtores, a taxa de juros será de 6% ao ano. 

>> Confira a apresentação dos números do Plano Safra 2020/2021

A subvenção ao Prêmio do Seguro Rural teve um acréscimo de 30% no valor, chegando a R$ 1,3 bilhão, o maior montante desde a criação do seguro rural. O valor deve possibilitar a contratação de 298 mil apólices, num montante segurado da ordem de R$ 52 bilhões e cobertura de 21 milhões de hectares.Para incentivar a construção de armazéns nas propriedades, serão destinados R$ 2,2 bilhões. Para o financiamento de armazéns com capacidade de até 6 mil toneladas nas propriedades, a taxa de juros é de 5% ao ano.

Guilherme Martimon/Mapa

Outro setor beneficiado será o da pesca comercial, que terá apoio para acessar o crédito rural. Desta forma, a atividade poderá financiar a compra de equipamentos e infraestrutura para processamento, armazenamento e transporte de pescado.

Sustentabilidade

O Plano Safra destaca linhas de crédito que contribuem para a sustentabilidade da agricultura. O Programa para Redução de Emissão de Gases de Efeito Estufa na Agricultura (Programa ABC), que é a principal linha para financiamento de técnicas sustentáveis, terá R$ 2,5 bilhões em recursos com taxa de juros de 6% ao ano, uma ampliação de R$ 400 milhões. Na safra 2020-2021, os produtores terão acesso à linha ABC Ambiental, com recursos para restauração florestal, voltada para contribuir com a adequação das propriedades rurais ao Código Florestal. A taxa de juros é de 4,5% ao ano. A partir de 1º de julho de 2020, os produtores poderão financiar aquisição de cotas de reserva ambiental, medida aprovada pelo Conselho Monetário Nacional. Também há incentivos à adoção de tecnologias relacionadas aos bioinsumos dentro das propriedades rurais e pelas cooperativas. Os produtores podem acessar pelas modalidades de custeio, para aquisição de bioinsumos, ou investimento, na montagem de biofábricas dentro das propriedades (onfarm). Os recursos estão previstos no Inovagro e, no caso dos investimentos em biofábricas, podem chegar a 30% do valor de todo o financiamento. Para as cooperativas, as linhas de crédito é o Prodecoop, para a aquisição de equipamentos para a produção dos bioinsumos.

Outra novidade é o Pronaf-Bio, voltado para apoiar as cadeias produtivas da bioeconomia.

Inovação

No Plano Safra 2020/2021, está disponível financiamento para aquisição de equipamentos de monitoramento climatológico, como estações meteorológicas e softwares, e de monitoramento da umidade do solo. Os financiamentos poderão ser feitos pelo Programa de Incentivo à Irrigação e à Produção em Ambiente Protegido (Moderinfra).  A pecuária também terá apoio financeiro por meio do Programa de Incentivo à Inovação e Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro). Os pecuaristas poderão financiar a aquisição de equipamentos e serviços de pecuária de precisão. Os setores da pecuária bovina e bubalina, de leite e de corte também estão contempladas nos financiamentos para automação, adequação e construção de instalações.

Agricultura Familiar

Os agricultores familiares poderão continuar usando o crédito para financiar e reformar casas rurais. Nesta safra, os recursos para este fim somam R$ 500 milhões. O filho ou filha do agricultor familiar, que possua Declaração de Aptidão (DAP) da sua unidade familiar, poderá também solicitar financiamento para construção ou reforma de moradia na propriedade dos pais. No Programa de Garantia de Preços para Agricultura Familiar (PGPAF), o bônus de desconto será elevado para as operações de custeio e de investimento.

Nos investimentos coletivos para atividades de suinocultura, avicultura, aquicultura, carcinicultura (criação de crustáceos) e fruticultura, o limite por beneficiário foi ampliado.

Assistência Técnica
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Especialistas recomendam alimentação saudável, rica em frutas, legumes e verduras (Foto: Reprodução/Instagram)

Especialistas recomendam alimentação saudável, rica em frutas, legumes e verduras 

Recentemente, o Ministério da Saúde recomendou a quarentena à população para tentar barrar a proliferação do novo coronavírus, a Covid-19, pelo Brasil. A medida restritiva — e de caráter emergencial, no entanto, tem impactado a rotina das pessoas, que estão tendo que ficar confinadas em casa a fim de evitar o avanço da doença. Muitos trabalhadores estão fazendo home office e as crianças também estão sem sair de casa, em uma espécie de férias forçadas. Por conta dessa mudança no dia a dia, os hábitos alimentares de muita gente estão mudando consideravelmente. Em tempos de necessidade de se reforçar o sistema imunológico, o ideal é ingerir alimentos nutritivos, que são ricos em vitaminas e minerais. No entanto, muitas pessoas ficam ansiosas e acabam comendo besteiras, como doces, snacks e refrigerantes. Para piorar a situação, a restrição de academias e de exercícios físicos também altera a alimentação. Não são poucos os memes na web que brincam com a forma desastrosa e nada saudável de comer de quem está preso em casa nos últimos dias. O mais famoso deles diz: ”Quarentena — Dia 1: Já comi tudo o que comprei para 15 dias”. Para saber como manter uma alimentação saudável em meio à pandemia, Quem entrevistou quatro especialistas que deram dicas preciosas para driblar a ansiedade e para reforçar o sistema imunológico. Leia, abaixo, as recomendações da endocrinologista Ana Cristina Belsito, chefe do serviço de Endocrinologia do Hospital São Vicente de Paulo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia; do nutrólogo Danilo Klein, do Hospital Badim, na Zona Norte do Rio; da nutricionista Izabella Rocha, da Clínica Karla Assed, na Zona Sul do Rio; e do farmacêutico homeopata Jamar Tejada, de São Paulo.

Vegetais verdes escuros são uma boa pedida para quem é do grupo de risco (Foto: Reprodução/Instagram)

 Vegetais verdes escuros são uma boa pedida para quem é do grupo de risco

ENDOCRINOLOGISTA ANA CRISTINA BELSITO

DRIBLANDO A ANSIEDADE
”O ideal é evitar açúcares, gorduras e frituras e procurar ter uma alimentação mais rica em verduras e legumes, como alface, brócolis e espinafre, que são alimentos ricos em fibras e que vão ajudar a aumentar o tempo de saciedade. Frutas como laranja e abacate, que têm um efeito sacietógeno, são recomendadas, sem falar que o abacate é uma gordura saudável. Também recomendo aumentar a ingestão de fibras ricas em ômega três, como as nozes e as castanhas, que aumentam a saciedade porque também têm relação com a produção de cortisol. Sugiro o consumo de alimentos ricos em triptofano, que também tem efeito na saciedade, como, por exemplo, o chocolate amargo, numa média de dez gramas por dia, além de fibras como aveia, que diminui a absorção do açúcar, e o iogurte natural, numa faixa de 150 g por dia, que além de aumentar a saciedade, ainda melhora a parte intestinal. Outra coisa: os ovos também têm esse efeito sacietógeno, assim como o coco seco, que é rico em magnésio e potássio. Todos eles são alimentos interessantes para ingerir ao longo do dia de forma equilibrada”.

PARA AS CRIANÇAS
”Minha dica é evitar comprar uma grande quantidade de glicídios, doces, refrigerantes, balas e chocolates como forma compensatória pelo fato de a criança estar nesse período em casa. São alimentos de alto valor calórico e, com eles, a criança vai ter cada vez mais vontade de comer, porque eles estimulam a fome. Como opção, sugiro a ingestão de alimentos saudáveis e a variação dos pratos de legumes e verduras. O interessante é inventar novas saladas e outras formas de apresentar os legumes, como suflês e refogados. Sugiro ainda o preparo de salada de frutas, servida com iogurte e frutas secas, que são formas de saciar a fome, mas sempre de forma variada”.

Perdas de floresta virgem contabilizadas por relatório podem ser, em muitos casos, a degradação, momento inicial de um processo de desmatamento Foto: Getty Images
Perdas de floresta virgem contabilizadas por relatório podem ser, em muitos casos, a degradação, momento inicial de um processo de desmatamento Foto: Getty Images

Em 2019, segundo o novo relatório da Global Forest Watch, o mundo perdeu 3,8 milhões de hectares de florestas primárias tropicais — uma área quase do tamanho da Suíça, ou o equivalente a um campo de futebol a cada 6 segundos.

No Brasil, 95% da perda ocorreu na Amazônia, de acordo com a organização plataforma, que utiliza dados do monitoramento por satélite feito pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, em parceria com o Google, a Nasa e o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Analistas do Global Forest Watch apontaram, como principais razões da perda, para o desmatamento por ação humana (criação de pastos, especulação de terra) e incêndios.Em segundo e terceiro lugar, a República Democrática do Congo e a Indonésia tiveram pequenas reduções na área de floresta virgem que perderam no ano passado. E a Bolívia chegou ao quarto lugar da lista, por causa dos incêndios que devastaram áreas de alta biodiversidade no país em agosto de 2019.

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Foram impetradas três ações, no STF e na Justiça Federal, contra a política ambiental do governo Bolsonaro. Grupo acusa a União de omissão

Um grupo de entidades ligadas ao meio ambiente está processando o governo Bolsonaro por conta de suas políticas ambientais. O grupo acusa o governo de omissão e de favorecer a exportação ilegal de madeira. Serão impetradas três ações no STF e na Justiça Federal. 

Fazem parte da iniciativa a Associação Brasileira dos Membros do Minitério Público de Meio Ambiente (Abrampa); o Observatório do Clima, rede composta por 50 ONGs e movimentos sociais; o Greenpeace; além dos partidos de oposição REDE, PSB e PT. “A agenda ambiental deixou de ser uma questão social para se tornar uma questão de polícia”, afirma Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.A primeira ação foi ajuizada pela Abrampa e corre na Justiça Federal do Amazonas. A ação civil pública, contra a União e o Ibama, pede a anulação de despacho emitido pelo presidente do Ibama, Eduardo Bim, que liberou a exportação de madeira nativa sem fiscalização, a pedido expresso de madeireiras, de acordo com a entidade. O documento foi assinado em fevereiro, duas semanas após a Associação de Exportadores de Madeira do Pará (Arimex) solicitar o fim das inspeções. Segundo o grupo, A área técnica do Ibama  deu parecer contrário à liberação, mas o autor deste parecer foi exonerado pelos presidente do Ibama. As outras duas peças são ações diretas de inconstitucionalidade (Adin). Elas acusam a União de omissão e foram movidas por particos políticos no Supremo Tribunal Federal. Elas exigem a retomada imediata dos fundos Amazônia e Clima, que foram  congelados há ano pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. 

Dia mundial do meio ambiente

A ação coordenada foi anunciada por conta do dia mundial do meio ambiente, celebrado hoje.  Este ano, no entanto, não há motivo para comemoração. Em meio à maior pandemia do século, a pauta do meio ambiente parece ter sido deixada de lado.Nem mesmo a queda nas emissões, provocada pela paralisação de boa parte da atividade econômica, pode ser considerada uma boa notícia, uma vez que que, em maio, o gás carbônico acumulado na atmosfera atingiu um novo recorde histórico, de 417 partes por milhão. Segundo cálculos do governo americano, é o nível mais alto em milhões de anos.

“O Brasil até o bioma querem evadiram” Ou as autoridades  entram com com rigor de acordo com as leis ou então a situação fica cada vez caótica” 

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O governo mais obtuso de nossa história recente fez outra vítima. O Atlas da Mata Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), publicado em maio de 2020, mostra que depois de dois ciclos de queda aumentou o desmatamento na mais biodiversa floresta tropical do planeta. Entre 2018 e 2019, período que coincide com a ascensão do governo Bolsonaro, foram deflorestados 14.502 hectares. Isso representa um crescimento de 27,2% em comparação ao período anterior, 2017/18, que foi de 11.399 hectares. Mata Atlântica, nova vítima da política de Jair Bolsonaro é o post de opinião de hoje.

Mata Atlântica, nova vítima da política de Jair Bolsonaro

O diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, não tem dúvida (nós, também não): “a ampliação do desmatamento da Mata Atlântica mostra que a destruição do meio ambiente não tem ocorrido apenas na Amazônia. E o fato é preocupante, já que restam apenas 12,4% da Mata Atlântica – o bioma é o que mais perdeu floresta no país até hoje”.

Mantovani acrescentou ao G1: “Ele sinalizou um vale-tudo. E esse pessoal [que já desmatava antes] se sentiu inspirado.”

A importância da Mata Atlântica

De acordo com o site da ONG, “a Mata Atlântica abrange cerca de 15% do território nacional, em 17 estados (todos o Estados costeiros desde o Rio Grande do Sul até o Piauí, e ainda, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul).”

imagem de rio formado na mata atlântica
Água, o bem mais precioso, está em perigo.

“É o lar de 72% dos brasileiros e concentra 70% do PIB nacional. Dela dependem serviços essenciais como abastecimento de água, regulação do clima, agricultura, pesca, energia elétrica e turismo.”

Site do Ministério do Meio Ambiente confirma importância do bioma

Ministério do Meio Ambiente concorda com a importância do bioma. O site do MMA  mostra porquê: “estima-se que existam na Mata Atlântica cerca de 20 mil espécies vegetais (35% das espécies existentes no Brasil, aproximadamente), incluindo espécies endêmicas e ameaçadas de extinção.”

imagem de mata atlântica
A maior concentração de plantas por hectare. Isto é a Mata Atlântica.

“Em relação à fauna, o bioma abriga, aproximadamente, 850 espécies de aves, 370 de anfíbios, 200 de répteis, 270 de mamíferos e 350 de peixes. As florestas e demais ecossistemas que compõem a Mata Atlântica são responsáveis pela produção, regulação e abastecimento de água (para mais de 100 milhões de pessoas); regulação e equilíbrio climáticos; proteção de encostas e atenuação de desastres; fertilidade e proteção do solo…”

A interação entre a Mata Atlântica e o oceano Atlântico

Por que ela se chama Mata Atlântica? Sob a forma de névoa ou chuva, a umidade (do oceano) ajudou a criar as condições necessárias para as diversas formações do bioma que sobe a costa brasileira desde o extremo sul, sempre margeando o oceano. Por isso o nome.

imagem da baía de Guaraqueçaba cercada de mata atlântica
A paisagem da baía de Guaraqueçaba, Paraná, demonstra bem a interação entre a Mata Atlântica e o oceano.

Ela é considerada um dos cinco principais hotspots do mundo. Contando com os insetos, são aproximadamente 1.600.000 espécies. Só de plantas são 20 mil; 8 mil, endêmicas.

imagem do mico leão da cara pretaimagem de inseto polinizando

Onde, e por que, o desmatamento aconteceu

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Choveu bem neste domingo (17), na cidade de Santa Terezinha PE. Segundo o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) -PE, o volume foi de 75 ml. No sertão do Pajeú as chuvas têm sido constantes desde o mês de janeiro até aqui. Tinha dado uma trégua, mas voltaram novamente. É benção de Deus, para nosso sertão, que já passou por tantas secas prolongadas. Nos últimos anos, têm sido um dos melhores inverno na nossa região.
GLAUCO UMBELINO/DIVULGAÇÃO/CHESF
O Aproveitamento Hidrelétrico de Sobradinho está instalada no São Francisco, principal rio da região nordestina, com área de drenagem de 498.968 km2 – FOTO: GLAUCO UMBELINO/DIVULGAÇÃO/CHESF

Aproveitamento Hidrelétrico de Sobradinho, localizada na Bahia e instalada no rio São Francisco, a cerca de 40 km de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, começou o final desta semana (18 de abril) beirando 90% da sua capacidade, de acordo com a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). A previsão da Chesf é de que o volume útil do reservatório atinja 87,64% neste sábado (18) e 88,11% neste domingo (19). Quanto a defluência, que é a quantidade de água liberada, está com vazão de 1.600m³/s (metros cúbicos por segundo). Regularmente, a vazão é de 2.060 m³/s. De acordo com o diretor de operações da Chesf, João Henrique Franklin, a causa do aumento de volume foram as chuvas deste último período úmido. “Desse último ciclo, que começou em novembro de 2019 e está encerrando em maio de 2020, nós não podemos reclamar, foi um período de muita chuva, o que possibilitou acumulação”, destacou. A última vez que o reservatório ultrapassou 80% foi em 2012. No dia 1º, a usina hidrelétrica de Sobradinho começou a operar pela primeira vez sem limite máximo para vazão de água liberada em um mês de abril desde 2013. No último mês, também foi a primeira vez que o maior reservatório da bacia do rio São Francisco entrou na faixa de operação Normal — quando o volume útil está entre 60% e 100% — desde 1º de maio de 2019, quando as atuais regras operativas das barragens das principais hidrelétricas da bacia entraram em vigor. Em 31 de março, a barragem acumulava 73,98% de seu volume útil.

                                                                                   

A resolução nº 2.081/2017 da Agência Nacional de Águas (ANA) diz que Sobradinho tem três faixas de operação: Normal (quando o volume útil está acima de 60% até 100%); Atenção (acima de 20% até 60%); e Restrição (até 20%). Na faixa de operação Normal, a defluência mínima média diária é de 1.100 m³/s na hidrelétrica de Xingó (AL/SE) e de 800 m³/s em Sobradinho. Ambos os reservatórios ficam liberados de um teto para liberação de água. No início da semana, em alguns locais como a Ilha do Rodeadouro e a Ilha do Fogo, entre as cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), moradores relataram ao NE10 interior que os balneários já estavam cobertos pelas águas do Velho Chico. O ambientalista Victor Flores comemora as boas notícias: “Isso tudo traz uma satisfação enorme para o nordestino, para o povo do semiárido, para ver o rio cheio novamente”. Para ele, porém, é preciso ficar alerta com relação à qualidade da água que está chegando em Três Marias, já que o rio de lá é um dos principais afluentes do São Francisco.

Barragem de Sobradinho

O Aproveitamento Hidrelétrico de Sobradinho está instalada no São Francisco, principal rio da região nordestina, com área de drenagem de 498.968 km2 , bacia hidrográfica da ordem de 630.000 km2, com extensão de 3.200 km, desde sua nascente na Serra da Canastra em Minas Gerais, até sua foz em Piaçabuçu/AL e Brejo Grande/SE. A Usina está posicionada no rio São Francisco a 748 km de sua foz, possuindo, além da função de geração de energia elétrica, a de principal fonte de regularização dos recursos hídricos da região, segundo a Chesf. O reservatório de Sobradinho tem cerca de 320 km de extensão, com uma superfície de espelho d’água de 4.214 km2 e uma capacidade de armazenamento de 34,1 bilhões de metros cúbicos em sua cota nominal de 392,50 m, constituindo-se no maior lago artificial do mundo, garantindo assim, através de uma depleção de até 12 m, juntamente com o reservatório de Três Marias/CEMIG, uma vazão regularizada de 2.060 m3/s nos períodos de estiagem, permitindo a operação de todas as usinas da Chesf situadas ao longo do Rio São Francisco.

Rio São Francisco

O Velho Chico nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e chega à sua foz, no Oceano Atlântico, entre Alagoas e Sergipe, percorrendo cerca de 2.800km. O curso d’água passa por Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. O São Francisco é o rio 100% nacional com maior extensão. A bacia possui 503 municípios e engloba parte do Semiárido, que corresponde a aproximadamente 58% desta região hidrográfica, que está dividida em quatro unidades: Alto, Médio, Submédio e Baixo São Francisco.

” Mais um quadro vergonhoso como sempre, os corruptos sempre agindo sem serem punidos, até quando vai ficar deste jeito? Um país no descalabro por conta dos corruptos e corruptores.

Evento está sendo construído há dois anos pelas bases do Movimento. Na programação, há mesas e debates sobre capitalismo, patriarcado, racismo e violência – Juliana Adriano / MST

Com o lema “Mulheres em Luta: Semeando a Resistência”, cerca de 3,5 mil mulheres ocuparão Brasília (DF), entre os dias 5 e 9 de março, durante o 1º Encontro Nacional das Mulheres Sem Terra.

Esta é a primeira vez na história do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que um encontro é protagonizado exclusivamente por mulheres camponesas. O evento ocorrerá no Parque da Cidade, um dos maiores parques urbanos do mundo e o maior da América Latina.“Nós temos, desde a Amazônia até o Sul do país, as nossas experiências de resistência e, com certeza, nesses dias nós teremos um importante diagnóstico e, mais do que isso, uma projeção sobre como que as mulheres participam e vão participar ainda mais da luta”, diz Kelli Mafort, integrante da coordenação nacional do MST, que explica que o Encontro também servirá para orientar os movimentos sobre a questão de gênero. As bases do MST estão se mobilizando há dois anos para viabilizar o evento. Mulheres sem terra de acampamentos e assentamentos em 24 estados participaram de debates e formações sobre vários temas, como a produção agroecológica, produção de alimentos saudáveis, enfrentamento à violência, autonomia econômica das mulheres e resistência nos territórios.  Mafort destaca que o encontro está estrategicamente posicionado em uma conjuntura de ataque do governo Bolsonaro às políticas de reforma agrária e pautas das mulheres e que um dos objetivos é traçar uma perspectiva de médio prazo para a luta política do país. “A conjuntura exige uma ação de radicalidade para gente poder enfrentar e derrotar esse projeto que está no poder. Essa luta radical, ela vem daqueles e daquelas que lutam por terra, por direitos, mas também lutam em defesa da vida e quando a gente fala da luta das mulheres, a gente fala da luta de seres humanos que lutam para se manter vivos. Então falamos de situações extremas de violência de feminicídio, violência que ainda são piores em relação as mulheres do campo, as mulheres negras”, aponta Mafort.

Quando a gente fala da luta das mulheres, a gente fala da luta de seres humanos que lutam para se manter vivos

Povo sob pressão

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Terras indígenas desmatamento

Ipam
Terras indígenas são essenciais para o equilíbrio do clima na Amazônia

Em 2019, o desmatamento na Amazônia cresceu em ritmo maior em territórios com a presença de povos indígenas isolados, alerta relatório do Instituto Socioambiental (ISA) que será apresentado nesta terça-feira (3) em uma sessão da Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). No documento, o instituto afirma que há no país risco elevado de genocídio de povos indígenas isolados. De acordo com o ISA, que cita dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram desmatados nessas áreas da Amazônia 21.028 hectares no ano passado, o que representa alta de 113% em relação a 2018. Em todo o país, há registro de 115 povos isolados, 28 deles confirmados. Segundo o relatório, 115 terras indígenas registraram alta no desmatamento em 2019, na comparação com 2018, somando 42.679 hectares. Enquanto o desmatamento na Amazônia legal como um todo cresceu 30%, a alta foi de 80% nas áreas de terras indígenas. O levantamento aponta que seis delas (Ituna/Itatá, Kayapó, Munduruku, Uru-Eu-Wau-Wau, Yanomami e Zoró), que possuem dez registros de povos isolados, estão entre os 13 territórios que respondem por 90% do desmatamento em terras indígenas na Amazônia brasileira. O relatório afirma que o recorde de desmatamento registrado na Amazônia “está diretamente associado à política ambiental do governo Bolsonaro” e pede que o Brasil se comprometa a não regredir na proteção e garantia dos direitos humanos dos povos indígenas isolados.”As mudanças legislativas e atos executivos e administrativos estabelecidos até o momento indicam a precarização do aparato nacional para a proteção dos povos indígenas no Brasil, o que resulta em uma ameaça direta ao direito à vida, integridade, cultura, propriedade, liberdade e meio ambiente sadio de milhares de pessoas”, diz o documento, que cita, entre os fatores de risco para as populações indígenas na Amazônia , a precarização do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a inviabilização do funcionamento da Funai e o projeto para regulamentar a exploração econômica em terras indígenas apresentado pelo governo federal e que será analisado pelo Congresso.

Fonte:  iG 

Eles juntaram o empreendedorismo, o amor pela gastronomia e a dedicação ao meio ambiente para criar soluções para o desperdício desenfreado de alimentos

“É melhor sobrar, do que faltar”. Essa expressão, feita principalmente na hora de fazer as compras no supermercado, parece inofensiva, mas fomenta a cultura do desperdício de alimentos que, além de trazer danos ambientais, também é responsável pela desigualdade entre quem tem muito o que comer e quem luta para não morrer de fome. No mundo, 30% de toda a comida produzida por ano é desperdiçada ou se perde ao longo das cadeias produtivas de alimentos, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Isso é equivalente a 1,3 bilhão de toneladas de comida. Dentro dessa estatística, 45% das frutas e vegetais produzidos do mundo são desperdiçados a cada ano, tanto no plantio quanto depois da colheita, nas etapas de processamento, distribuição e consumo, também segundo dados da FAO.

Produtores colhendo alimentos orgânicos

Produtores organizando alimentos orgânicosProdutores organizando alimentos orgânicos (Tom Werner/Getty Images)

Diante deste cenário, algumas soluções estão sendo apresentadas para reduzir o descarte excessivo de alimentos, como, por exemplo, reaproveitar partes que são consideradas “restos” de legumes, verduras e frutas, como as cascas, talos e sementes. Isso é bom tanto para o meio ambiente, já que reduz o volume de resíduos, quanto para a nossa saúde, já que promove uma alimentação mais saudável e orgânica.

Pensando nisso, alguns projetos foram criados para disseminar o consumo consciente, estabelecer conexões entre produtores e consumidores e, ainda, reduzir os índices de fome no Brasil por meio da reutilização de alimentos e da capacitação de jovens no meio gastronômico. É o caso do Favela OrgânicaFruta Imperfeita e Gastromotiva. Conheça a história e o trabalho de cada um desses projetos a seguir.

Aproveitando até o talo

Fundado pela chef de cozinha e empreendedora social Regina Tchelly, o Favela Orgânica nasceu nas comunidades Babilônia e Chapéu Mangueira, na zona sul do município do Rio de Janeiro, em 2011. Natural de Serraria, na Paraíba, Regina já tinha o costume de aproveitar os alimentos integralmente e ficou indignada com a quantidade de vegetais que eram desperdiçados nas feiras livres da capital fluminense. “Pensei que eu tinha que fazer algo para mudar isso”, conta à CLAUDIACom um investimento inicial de apenas R$140, o projeto foi criado com a proposta de aproveitar integralmente os alimentos naturais, incluindo cascas, talos e caroços, por meio de receitas criativas. Além de reduzir o desperdício, a ideia é modificar a relação das pessoas com os alimentos, conscientizando-as acerca de sua própria alimentação, desde o planejamento das compras, até o preparo e o descarte. “Conhecer sobre o ciclo do alimento e o aproveitamento dos alimentos transforma nossa relação com a comida e nos faz repensar sobre nossas responsabilidades enquanto cidadãos”, aponta Regina. Para ajudar nessa missão, a Favela Orgânica criou ainda, junto com a Hellmann’s e o Facebook, uma plataforma para inspirar as pessoas a reduzir o desperdício de alimento. Denominada “Heróis da Geladeira”, o bot, disponível no Messenger, possibilita conversas entre especialistas e interessados em aprender a fazer a geladeira render. “A expectativa é que estas conexões se transformem em aprendizados para estimular as pessoas no início da jornada da mudança de hábito em relação ao desperdício de alimento”, finaliza.Mas é realmente saudável comer talos, sementes e cascas?  Sim! Para tirar essa dúvida, CLAUDIA conversou com a nutróloga Nivea Bordin, da Clínica Leger, que nos garantiu que reaproveitar essas partes que seriam descartadas é realmente saudável. “A semente da abóbora, que é seca, quando ingerida tem efeito antiparasitário, bem importante pro intestino”, exemplifica. “Ela tem os macronutrientes (enxofre, fósforo, magnésio, cálcio e potássio) e micronutrientes (cobre, zinco, manganês e ferro), fibras e é excelente para o corpo.” De acordo com a profissional, talos de couve e agrião também podem ser usados para o preparo de bolos. Eles são importantes porque têm vitaminas do Complexo B, além de vitamina A, C, K, minerais (potássio, ferro, cálcio e fósforo), que são substâncias essenciais para o funcionamento do corpo.

Já a folha da beterraba, por exemplo, pode ser consumida como salada e o talo pode ser refogado e consumido. São alimentos ricos em fibras, fósforo, zinco, magnésio, potássio, cobre, manganês, cálcio, ferro, vitaminas A, B6, C, e fonte de antioxidantes.

Imperfeitos são perfeitos

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Formatura
Formatura da primeira turma de Direito/Pronera – Wellington Lenon

O decreto nº 20.252 publicado no Diário Oficial de 20 de fevereiro de 2020 reorganiza a estrutura do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), enfraquecendo programas importantes para o desenvolvimento dos Movimentos Sem Terra e Quilombolas.

Na reestruturação, o governo extingue a Coordenação responsável pela Educação do Campo. Assim, fica inviabilizada a continuidade do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária, o Pronera, voltado para a formação de estudantes do campo. A medida é mais um ataque do Governo Bolsonaro aos movimentos populares e aos trabalhadores do campo

Para Isabela da Cruz,  formada no curso de Direito do Pronera na Universidade Federal do Paraná (UFPR ), não é de hoje que a política pública voltada para melhorias de vida no campo vem sendo sucateada. “É um projeto político de extinção da população rural, vindo de um governo que menospreza a educação, a leitura e o conhecimento”, diz. Além de advogada recém-formada, Cruz é historiadora e ativista da Comunidade quilombola Paiol de Telha e considera que o momento é de agir. “Não é hora de choro. É hora de fortalecer ainda mais os espaços de fortalecimento da educação”, ressalta.

Educação para população do campo

O Pronera, criado em 1998, foi responsável pela formação de cerca de 9 mil alunos que concluíram seu ensino médio; 5.347 foram graduados no ensino superior em convênio com universidades públicas; 1.765 deles tornaram-se especialistas e 1.527 são alunos na Residência Agrária Nacional.

Em 2014, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), em parceria com o Pronera, criou uma turma especial do curso de Direito para assentados. Em 2019, 47 alunos desta primeira turma foram formados. Segundo informações da Universidade, a turma do Pronera no Direito da UFPR foi composta por estudantes vindos de 15 estados, além do Paraná, mas todos têm em comum o fato de possuírem vínculos com as comunidades tradicionais do campo — elas são o foco do programa, voltado a reduzir o déficit educacional dessas populações. Para Izabel Cortez da Silva Ferreira, recém formada do curso de Direito, a extinção do programa pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido) é um grande ataque à educação dos povos do campo. “Este governo mostra a que veio, que é questionar a ciência, a educação. E traz muito sofrimento para as pessoas”, diz.

Sobre a formação recebida no Pronera, Ferreira destaca a riqueza de trazer jovens do campo para dentro das Universidades. “Os jovens têm a oportunidade de estudar, aprofundar e voltar para contribuir nas suas comunidades e produzir conhecimento também”, afirma.  Ela é militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e atualmente cursa mestrado em Direito na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

Primeira da família a chegar à Universidade

Sobre o sonho de chegar a uma Universidade, que o Pronera possibilitou para milhares de pessoas do campo, Ana dos Santos, também recém-formada no curso de Direito,  diz que a graduação representa uma conquista muito grande para sua família. “Sou da primeira geração a ter oportunidade de terminar o segundo grau e uma das únicas a cursar ensino superior. Ouvi a vida inteira minha mãe falando que a única coisa que poderia nos dar era estudo. Mas, no campo, se resumia ao ensino médio”, conta. Para ela, o programa foi também abertura de horizontes. “Abriu horizontes para todos, mostrou ser possível que nós, filhas e filhos de camponeses, pudéssemos estudar e realizar um sonho que já era de nossos pais”. Ana lamenta o fim do programa que, para ela, representou resistência e sensibilidade. “Ao mesmo tempo em que se mostrou como política de resistência, de embate, porque antes Universidade era luxo para poucos, também se colocou de forma muito sensível para a efetivação de um direito humano”, pontua.

Fórum Nacional de Educação do Campo

Preocupados com a situação do Pronera, os integrantes do Fórum Nacional de Educação no Campo divulgaram nota em defesa do direito da população camponesa a educação no seu local de trabalho. “O decreto extinguiu uma parte fundamental da política, porém, não extinguirá a dívida que o Estado brasileiro tem em relação ao direito de acesso dos camponeses à educação. Tampouco extinguirá nossa disposição de seguir lutando por esse direito, componente de um projeto de Reforma Agrária no País como condição basilar de uma sociedade democrática que busque superar as aterradoras desigualdades sociais que hoje o caracterizam”, diz o texto.

Leia na íntegra a nota do Fórum Nacional de Educação do Campo em defesa do Pronera:

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   A barragem do Cascudo, em de Santa Terezinha PE. Começou a sangrar na última terça-feira dia 25/02/2020. É uma alegria para todos da nossa região, motivo para agradecer e engrandecer o nome do Senhor nosso Deus, pois quando Ele quer a natureza obedece. Os agricultores continuam felicitados com os lucros que vão obter em mais um ano consecutivo. Até o fechar desta edição choveu 227.5mm. Em 2019 a barragem sangrou e recebeu 677,06 mm de acordo com APAC. A mesma tem uma excelente fonte de água, que faz com que ela sangre com facilidade, por que recebe bastante água da cachoeira do Timóteo. 

                                                                         

Os produtores rurais brasileiros em breve terão a opção de comprar novo tipo de semente de cenoura para cultivo orgânico, já batizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) como Cenoura BRS Paranoá. As hortaliças da nova cenoura são mais resistentes à queima de folhas – principal doença da cultura, causada por bactérias e fungos – e não exigem adição de defensivos químicos para evitar pragas. A nova cultivar também é mais tolerante a problemas causados por microrganismos do solo (nematoides das galhas) que afetam o crescimento da raiz.

A expectativa é que as lavouras da Cenoura BRS Paranoá sejam mais produtivas do que as plantações com as sementes hoje disponíveis no mercado.“Tem potencial produtivo de pelo menos o dobro da cenoura híbrida”, disse Agnaldo Carvalho, pesquisador da área de melhoramento genético da Embrapa Hortaliças, no Distrito Federal.A polinização da cultivar desenvolvida pela Embrapa é aberta, não precisa ser induzida como ocorrem com as sementes híbridas atualmente mais utilizadas.

Menor custo

O método tem custo menor e os produtores, quando capacitados, podem aproveitar as sementes colhidas para o próximo plantio, evitando o gasto com a aquisição de novas sementes.  Ainda neste semestre, a Embrapa deverá lançar edital de oferta pública da semente da BRS Paranoá para que empresas privadas possam fazer o licenciamento da tecnologia, já registrada, e multipliquem e comercializem as sementes. A estatal de pesquisa agropecuária recomenda o plantio da semente da BRS Paranoá entre os meses de outubro e março, período de entressafra de cultivares tradicionais –  quando há mais calor e chuvas (típico do verão) – e o preço da cenoura tende a ser melhor para os pequenos produtores orgânicos. A colheita deve ser feita 90 dias após a semeadura.

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Última fronteira agrícola no norte de Mato Grosso. Aumento do desmatamento ilegal deve reduzir fatores fávoraveis para a produção agrícola. Foto: Image by Ramesh Thadani / Getty Images
Última fronteira agrícola no norte de Mato Grosso. Aumento do desmatamento ilegal deve reduzir fatores fávoraveis para a produção agrícola.
Foto: Image by Ramesh Thadani / Getty Images

Uma análise sobre o desmatamento no Cerrado a partir de dados coletados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelou que, entre agosto de 2018 e julho de 2019, uma área de 933 km² foi destruída apenas no Mato Grosso. Deste total, a devastação ocorreu por meio de ações ilegais em 88% dos casos.  O número significa uma redução de 6% em relação à área desmatada no ano anterior, mas segundo o documento divulgado pelo Instituto Centro de Vida, o ritmo de destruição no bioma ainda é “alarmante” pelo elevado grau de ilegalidade nas ações.O estudo também revela que grande parte do desmatamento ilegal identificado é proveniente de imóveis rurais registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Esse registro eletrônico é obrigatório e tem como objetivo integrar as informações ambientais sobre áreas de preservação de florestas e vegetação nativa.

Distribuição do desmatamento no Cerrado por categoria fundiária Foto: Instituto Centro de Vida
Distribuição do desmatamento no Cerrado por categoria fundiária Foto: Instituto Centro de Vida

Do desmatamento ilegal identificado nessas propriedades registradas no sistema nacional, 64% se concentra em grandes imóveis, com mais de 1.500 hectares. Segundo Vinícius Silgueiro, coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV, os números demonstram que a destruição é feita por quem já possui poder econômico e por isso seriam facilmente identificáveis pelos órgãos ambientais para a responsabilização pelos crimes.“Quando olhamos para o universo de propriedades desmatando ilegalmente há uma concentração em menos de 900 fazendas, um número bem pequeno quando comparado ao número total de propriedades no Cerrado, cerca de 3%. É preocupante que poucas propriedades que poderiam estar sendo fiscalizadas destruam mais de 60% do bioma e coloquem em risco a produção agropecuária do estado inteiro”, alertou.

Concentração do desmatamento entre agosto de 2018 e julho de 2019 Foto: Instituto Centro de Vida
Concentração do desmatamento entre agosto de 2018 e julho de 2019 Foto: Instituto Centro de Vida

Sobre a queda de 6% no desmatamento quando comparado ao ano anterior, Silgueiro considera que o patamar ainda é muito elevado, na casa de 100 mil hectares por ano. Esse número ainda está distante do compromisso assumido pelo estado de Mato Grosso durante a Conferência do Clima em Paris, em 2015. No evento, o governo se comprometeu a reduzir o desmatamento do Cerrado para 150 km² por ano até 2030. “O que notamos é uma queda enorme, desde 2015, nas autuações feitas pelo Ibama no estado. A Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) tem um esforço maior: implantaram em 2019 um sistema novo de monitoramento com imagens em alta resolução, mas ainda precisamos aguardar o reflexo disso para entender se o combate está sendo feito de forma mais efetiva”. Para Vinícius Silgueiro, a imagem de impunidade sobre crimes ambientais ainda pode prejudicar a relação com mercados externos, já que não há garantias sobre a legalidade da produção agropecuária.

RELEVÂNCIA DO CERRADO

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando cerca de 22% do território nacional. Considerado a “caixa d’água” do país, a região localizada no centro do país possui nove das doze bacias hidrográficas existente no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estática (IBGE).

As nascentes dos maiores rios que correm pelo país estão no bioma, entre eles o rio São Francisco, Araguaia e Tocantins. A perda de vegetação no Cerrado pode prejudicar diretamente a disponibilidade de água e aumentar processos erosivos, prejudicando a produção agropecuária.

 

Foto: Ricardo Azouryi/Istockphoto

FOTO: RICARDO AZOURYI/ISTOCKPHOTO

“Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.”

“A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável.”

Jean-Jacques Rousseau

Veja quem são as empresas e os agropecuaristas mais multados e como eles vivem sob a proteção do governo Bolsonaro

*Por Alceu Luís Castilho e Leonardo Fuhrmann. Com reportagem de Maria Lígia Pagenotto, Priscilla Arroyo e Yago Sales


As multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis não param de despencar. Elas se tornaram significativas, em quantidade e valor, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, atingiram o pico de arrecadação nos dois mandatos de Lula e, de lá para cá, diminuem paulatinamente. Em menor ritmo sob a gestão de Dilma Rousseff. E mais aceleradamente durante o período de Michel Temer e, principalmente, no primeiro ano de Jair Bolsonaro. Não foi por falta de aviso. Em dezembro de 2018, dois meses após ter sido eleito, Bolsonaro afirmou, em referência ao trabalho dos fiscais do Ibama: “Essa festa vai acabar”. O ex-capitão repete aos quatro ventos, sem medo da desmoralização, que o desmatamento na Amazônia é um problema “cultural”. Seu ministro da Economia, Paulo Guedes, foi mais direto no Fórum de Davos, o convescote dos donos do dinheiro global aos pés de uma aprazível montanha nos Alpes suíços: a culpa é dos pobres.

Menos multas representam menos fiscalização sobre os desmatadores de sempre, reincidentes compulsivos, conforme o levantamento apresentado nesta reportagem. Com agravantes: no primeiro ano do governo Bolsonaro, empresas e agropecuaristas que costumavam aparecer com frequência na lista, a começar pelas empresas de um velho conhecido de CartaCapital, o banqueiro Daniel Dantas, deixaram de figurar entre os autuados pelo Ibama, ou receberam multas irrisórias para a extensão de seus crimes ambientais. Em um passe de mágica, infratores contumazes tornaram-se cidadãos de ficha limpa. Não por coincidência, a devastação da Floresta Amazônica, bioma onde são lavradas as multas de maior valor, voltou a crescer em ritmo preocupante.A análise das multas aplicadas pelo Ibama em um período de 25 anos revela que Dantas, envolvido em tantos e tantos escândalos políticos e financeiros no eixo Rio-São Paulo-Brasília, resolveu deixar um legado de destruição na maior floresta tropical do planeta. Uma assinatura, digamos. Entre as empresas, a Agropecuária Santa Bárbara, atualmente denominada AgroSB, foi a campeã de multas no período. Ao todo, as autuações atingem a soma de 323 milhões de reais. Não se trata de perseguição dos fiscais. Imagens por satélite divulgadas pelo próprio Ibama mostram enormes clareiras nas propriedades da empresa.

DD RESOLVEU IMPRIMIR SUA MARCA NA FLORESTA. FOTO: GLAUCIO DETTMAR

O caso de Dantas ilustra a riqueza dos dados de multas e embargos da autarquia federal. A partir de uma base de quase 285 mil autuações na categoria flora, a equipe do De Olho nos Ruralistas produziu um ranking dos maiores infratores entre 1995 e 2019. Nesta categoria inclui-se o desmatamento propriamente dito, seja por supressão direta, seja por participação na cadeia produtiva. Algumas autuações estão em disputa administrativa ou judicial. Uma parte ínfima foi paga (1,42% do total). Outras prescreveram. O ranking não pode ser confundido com uma lista de criminosos condenados pela Justiça em inúmeras instâncias. Mas é certamente a triste história do desmatamento na região. E dos desmatadores.

A rigor, o CNPJ com mais multas pertence ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, o Incra, com um total de 428 milhões reais em multas em oito anos diferentes, entre 2006 e 2014. Não é possível, no entanto, nem honesto apontar um personagem único neste caso. Até porque não são os assentados os principais responsáveis pela destruição das matas. O Incra entra na história pelo fato de o Ibama não identificar os verdadeiros culpados: ladrões de terras, grileiros etc. Não é a reforma agrária que desmata, mas a vista grossa do Estado. De qualquer forma, a “liderança” do Incra está ameaçada: os dados reunidos pela reportagem mostram que, somadas as multas das empresas ligadas ao grupo de Dantas, o desmatamento no Brasil passa a ter um recordista de fato.

A soma das multas aplicadas às empresas de Daniel Dantas, o campeão de infrações, passa de 300 milhões de reais

Os vários CNPJ da Agropecuária Santa Bárbara encontram-se inativos. Quem está ativa neste momento é a AgroSB Agropecuária S.A., com sede em Palmas e capital social de 1,7 bilhão de reais. O nome do banqueiro não aparece entre os principais gestores, mas o de sua irmã, Verônica Dantas, está lá, assim como o do ex-cunhado Carlos Bernardo Torres Rodenburgo, parceiro de tantos rolos e tantas jornadas de DD. Dantas não está lá em pessoa, mas ninguém duvida de sua participação direta nos empreendimentos. Em 2008, e-mails interceptados pela Polícia Federal expuseram a conexão entre as empresas agropecuárias da família no Pará e o Banco Opportunity. As transcrições davam conta de uma confusão deliberada entre os patrimônios das diferentes pessoas jurídicas, “ajustes realizados segundo a conveniência do momento”.

Das inúmeras autuações da AgroSB, no total de 323 milhões de reais, apenas uma minoria não alcança a casa do milhão. Algumas poucas somam 437 mil, expedidas depois de fiscalizações em 2013, 2014 e 2018. Em outros cinco anos (2008 a 2011 e em 2017), as cifras foram bem maiores, a ponto de a empresa de Dantas também ter sido a recordista em multas por flora em 2017.Por conta de irregularidades em Cumaru do Norte, sudeste do Pará, a agropecuária foi instada a pagar 77 milhões de reais.

As mais de 30 autuações por desmatamento foram aplicadas em diversas fazendas da família, localizadas em seis municípios paraenses: Cumaru do Norte, Eldorado do Carajás, Marabá, São Félix do Xingu, Santana do Araguaia e Xinguara. Coincidência ou não, Dantas, na mesma região, tem negócios de mineração. A Santa Ana Agropecuária, outra empresa do grupo, foi multada em 30 milhões de reais em 2003, 2006 e 2009, mais uma vez em Cumaru do Norte. Acrescente-se à conta os 70 milhões aplicados no mesmo município em nome de Tarley Helvecio Alves, ex-presidente do Sindicato Rural de Redenção e administrador da Fazenda Caracol, de propriedade de Verônica Dantas. Em um processo na Justiça, Alves e a Agropecuária Santa Bárbara figuravam como réus, “na qualidade de proprietários ou usufrutuários da Fazenda Caracol”.

Os dados sobre embargos do Ibama, acessados pela reportagem em paralelo à pesquisa sobre autuações, mostram que as multas para Alves foram lavradas por conta de seu trabalho na Fazenda Caracol. Ou seja, é possível somar os 100 milhões da Santa Ana e de Alves/Caracol aos 323 milhões da AgroSB, como braços de um mesmo grupo econômico. E assim a família do banqueiro, que informa possuir 500 mil hectares na Amazônia, acotovelando-se entre os maiores latifundiários do País, ultrapassa o Incra.

Em nota, a AgroSB se diz vítima de perseguição do Ibama entre 2008 e 2010, afirmou que diversas autuações foram anuladas nos últimos dois anos e se apresenta como um empreendimento modelo que visa melhorar a produtividade, evitar o desmate e gerar empregos na região.

Dantas é o maior infrator, mas não o único. Enquanto ONGs ambientalistas internacionais são demonizadas por Bolsonaro e sua equipe, como se fossem responsáveis pela devastação da Amazônia, outros estrangeiros têm sido alvos, desde 1995, de centenas de multas por desmatamento. Entre eles figuram multinacionais como a Bunge, a Cargill e o Banco Santander, autuados por participarem de cadeias produtivas que destroem o meio ambiente. Outros têm uma responsabilidade mais direta no processo, entre eles um sueco apresentado como ambientalista e que poderia ter saído das páginas de História Universal da Infâmia, de Jorge Luis Borges. Seu nome? Johan Eliasch.

ELIASCH SUMIU. A DÍVIDA, NÃO. FOTO: JEFF SPICER/GETTY IMAGES/AFP

Ao comprar 160 mil hectares de terras na Amazônia em 2005, Eliasch afirmou que sua intenção era manter “as árvores de pé”. Em 2007, o bilionário ciceroneou por suas propriedades o príncipe Andrew, quarto na linha de sucessão do trono inglês e amigo de longa data. Gabava-se do que chamava de áreas de preservação sob seu controle. Suas conexões com o poder britânico iam além da família real. Entre 2007 e 2010, Eliasch atuou como consultor do então primeiro-ministro Gordon Brown para o tema Desmatamento e Energia Limpa.

No ano seguinte à visita do príncipe, a Justiça Federal do Amazonas decidiu tornar indisponíveis os bens, as contas bancárias e parte das terras da Gethal, empresa ligada ao sueco e dona da propriedade autuada. Com a decisão, a Justiça acatava um pedido do Ibama para o ressarcimento por danos ambientais à Floresta Amazônica e indenizações por danos materiais e morais à sociedade. 

MICHEL TEMER E HENRIQUE PRATA. FOTO: ALAN SANTOS/PR

A SOJA AVANÇA.

FOTO: ADRIANO GAMBARINI/WWF-BRASIL

Em maio de 2008, a Gethal tinha sido multada oito vezes em Manicoré, sudeste do Amazonas, com valores que, somente naquele mês, chegaram a 224,3 milhões de reais. Com direito a duas multas máximas, na época 50 milhões. Por causa de outra autuação de “apenas” 6,3 milhões de reais em Itacoatiara, nos arredores de Manaus, a empresa do sueco figura em quarto lugar na lista das empresas com o maior número de infrações entre 1995 e 2019 na categoria flora. Uma das campeãs de desmatamento na história do Brasil, portanto.

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“O PAA praticamente acabou. Eu diria que virou uma lenda. Ficou para a história, já não representa uma alternativa" - Créditos: Foto: Agência Brasil
“O PAA praticamente acabou. Eu diria que virou uma lenda. Ficou para a história, já não representa uma alternativa” / Foto: Agência Brasil

A exemplo de outras iniciativas de combate à insegurança alimentar e nutricional, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) está prestes a se tornar passado. Um dos eixos fundamentais para tirar o Brasil do Mapa da Fome tem cada vez menos recursos e rapidamente se transforma numa sombra do que foi.O PAA atua em duas pontas. De um lado, compra de agricultores familiares. De outro, distribui parte à população mais ameaçada pela insegurança alimentar e nutricional.

Desde a criação, em 2003, os recursos destinados pelo governo federal ao programa tiveram crescimento constante de forma acentuada até 2006, e de forma mais lenta seguiram até 2012, quando se chegou ao teto de R$ 1,2 bilhão.Em 2018 foram aplicados apenas R$ 253 milhões, “valor comparativamente menor que o aplicado no primeiro ano do programa, considerando-se a correção monetária”, aponta estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). No ano passado, o valor executado pelo PAA com recursos do Ministério da Cidadania foi de R$ 188 milhões, ou um sexto do que teve o projeto no ápice.

Para o período que se inicia, a perspectiva é ainda pior. O previsto na Lei Orçamentária Anual 2020 é de R$ 101 milhões. A estimativa para o próximo Plano Plurianual, de 2020 a 2023, é de pouco mais de R$ 520 milhões. Isso significa que o valor previsto para o programa ao longo de quatro anos é menor que o executado apenas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 2012 por meio das compras públicas, com R$ 586 milhões investidos. Naquele ano, 128,8 mil agricultores familiares foram beneficiados com 297 mil toneladas de alimentos adquiridas por meio das compras feitas pela Conab. Em 2018 foram 9.675 produtores, com 23 mil toneladas e R$ 63 milhões em compras públicas operacionalizadas pela companhia.

“O PAA praticamente acabou. Eu diria que virou uma lenda. Ficou para a história, já não representa uma alternativa. Permitir que produtos disponíveis em baixo volume, mas que podem ser aproveitados, possam ser incluídos no programa, isso tudo já se perdeu. Porque o grande diferencial era a compra simultânea que a Conab realizava”, afirma Silvio Porto, o diretor que mais tempo ficou à frente da companhia, entre 2003 e 2014.

“O país já vinha e continua na ingovernabilidade, sempre absurdos e absurdos

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Educação ambiental deve estar atrelada à rotina escolar e familiarEsses mesmos valores devem ser ensinados em relação aos cuidados e preservação do meio ambiente, seja na família ou escola. O processo de degradação e tragédias ambientais causadas pelo homem são problemáticas que necessitam de ações urgentemente, não somente para amenizar estragos que perpetuarão por décadas, mas para evitar que desastres futuros ocorram. Entender e aplicar soluções que atenuem os impactos negativos no meio ambiente é responsabilidade de todos: população e poder público.

Após a implantação da Lei 9795, que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental, determinando que esse seja um componente essencial e permanente da educação, 65% das escolas do ensino fundamental do país inserem a temática ambiental em suas disciplinas de 1ª a 4ª série, sendo que 27% desenvolvem projetos específicos sobre o assunto, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).

Mas, é possível perceber que os números ainda são preocupantes quando a pesquisa do Ibope revela que 94% dos brasileiros se declaram preocupados com o meio ambiente. Porém, 76% não fazem a separação do lixo domiciliar por tipo de material e quase um terço (28%) não sabe identificar por cores as lixeiras para coleta seletiva. É nítido que existe uma diferença clara entre o discurso e a prática. Falar que se importa é uma coisa, mas de fato mudar comportamento é outra.

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Crédito: José Cruz/Agência Brasil

São Paulo, 4 – A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse nesta quarta-feira, 4, que um dos grandes desafios da pasta para 2020 é melhorar o acesso à tecnologia e assistência técnica para os pequenos agricultores. “Nós temos que tirar o pequeno agricultor do patamar de baixa tecnologia, de baixa renda”, disse ela na abertura do Agrocenário 2020, evento promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) em Brasília. “Os pequenos agricultores precisam entrar no sistema produtivo como a grande agricultura comercial faz. Vamos fazer isso através da ciência, da tecnologia, da pesquisa da nossa Embrapa, levando a eles tudo o que o produtor empresarial foi buscar nessa tecnologia.”Conforme nota da pasta, em entrevista após o evento, a ministra afirmou que a expectativa para 2020 é de que a safra de grãos supere a dos anos anteriores e que o Brasil continue na liderança da produção agrícola mundial. “Nós temos aí uma previsão de uma grande safra para o ano que vem. Agora as chuvas se regularizaram e a gente espera que continue bem e que nós vamos bater outro recorde.”

Carne para os EUA

Questionada sobre a possibilidade de reabertura das exportações brasileiras de carne bovina in natura para os Estados Unidos, a ministra ressaltou que as negociações técnicas levam tempo, mas que o Brasil está buscando prospectar outros mercados tão importantes quanto o norte-americano. “Todos os mercados são prioritários para o Brasil, pelo tamanho, pelo gigantismo da nossa pecuária, nós temos o maior rebanho bovino do mundo (….) Temos aí muita proteína para mostrar para o mundo”, disse a ministra. Tereza Cristina acrescentou que o mercado global de carne passa por um período de transição em razão da alta demanda da China por proteína animal, já que o país teve perdas significativas de animais por causa da peste suína africana. “Estamos vivendo um momento de transição muito bom, é bom que os pecuaristas possam investir mais no seu negócio, melhorar o desfrute do nosso rebanho, produzir uma quantidade maior de proteínas, porque o mundo está ansioso por essa proteína, não só do Brasil, mas o mundo todo, pelo problema que vive hoje o mercado chinês, que é um grande mercado, e tem mudado o cenário internacional das proteínas”.

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Em alta: Brasil se consolida como maior exportador de carne do mundo

Em dezembro de 2018, a exportação de carne para o exterior já tinha sido 11% maior do que em 2017, vendendo cerca de 1,64 milhão de toneladas. Em 2019, o país já conseguiu se consolidar como o maior exportador de carne bovina do mundo, de acordo com a ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne). A maior parte da carne é destinada para a Ásia, principalmente para Hong Kong e China. O primeiro, comprou cerca de 57,2 mil toneladas somente no primeiro bimestre do ano, enquanto que os chineses adquiriram cerca de 49,4 mil toneladas. A exportação deste produto para a União Europeia, considerado um dos mercados mais exigentes do mundo com relação a qualidade da carne, vem crescendo de forma igual ao ano passado: 8,8%.

Manter um bom nível de comércio com a UE atesta que a carne brasileira possui um “selo de qualidade”. Isso porque, a região só aceita carnes que passaram por rigorosas normas pré-estabelecidas, que atestam a qualidade e procedência do produto.

Quem realiza a verificação do gado que pode ser comercializado para mercados mais exigentes é o SISBOV (Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos).Já são cerca de 1.780 fazendas credenciadas e 4,3 milhões de animais são rastreados anualmente. A tendência é que o número aumente, o que resultará em exportação de carne de qualidade para todo o mundo, principalmente para locais mais exigentes como a UE, que chega a pagar R$ 4,00 a mais por arroba.E vem mais crescimento por aí: entre os dias 10 e 28 de julho deste ano, os EUA farão uma visita de inspeção ao Brasil para definir se o país poderá voltar a exportar carne para o território norte-americano.Para agilizar essa abertura, o presidente Jair Bolsonaro propôs abrir uma cota com tarifa e para a importação de 750 mil toneladas de trigo dos Estados Unidos, além de sinalizar positivamente para a comercialização da carne de porco americana.

O que esperar para o futuro?

A tendência é que o Brasil continue com alto volume de exportação de carne (e possivelmente de outros produtos) para o exterior, e por isso, você precisa aproveitar essa boa maré e investir em uma carreira no Comércio Exterior, já que o mercado demandará de profissionais qualificados para suprir as novas vagas que serão criadas.

Por que a carne bovina ficou caríssima principalmente para os mais pobres???

www.abracomex.org

O preço da carne disparou. O produto, indispensável na dieta dos brasileiros, está mais caro do que nunca e segundo todas as projeções, os preços ficarão nas alturas durante longos meses pela frente.

247 – Do início de setembro para cá, o valor da carne bovina no atacado já subiu quase 50%, aumento que foi repassado quase que integralmente para o varejo em alguns cortes de bovino.

É o caso do contrafilé que, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), teve reajustes acima de 50% em menos de três meses, e do coxão mole, que subiu 46% no período. Reportagem da Exame aponta que segundo pesquisa da BoiSCOT Consultoria, o mercado está agitado com cotações subindo em média 8,9% por semana desde início de novembro. De acordo como o levantamento, o atual preço da arroba bateu recordes e chega a ser negociado por R$ 230, com aumentos registrados em 29 das 32 praças do Estado de São Paulo pesquisadas pela entidade. “É a primeira vez, desde novembro de 1991, que a cotação atinge esse patamar (considerando o preço nominal e também o preço deflacionado)”, disse a BoiSCOT quado o preço bateu R$ 200. Não há uma previsão sobre até quando os preços da carne continuarão subindo, mas na opinião de economistas, ainda falta uns meses para que o mercado possa encontrar um equilíbrio. Na semana passada, a ministra da Agricultura Tereza Cristina chegou a dizer que o preço da arroba do boi gordo poderia arrefecer nesse período, mas que não retornaria mais ao patamar anterior, uma vez que a sinalização do mercado é de que os preços estão deprimidos.

brasil24

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