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Malafaia contou que havia tentando pedir um empréstimo de R$ 12 milhões ao Bradesco, onde tem conta, mas não conseguiu. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A Central Gospel, empresa criada há 20 anos pelo pastor Silas Malafaia e sua esposa, a também pastora Elizete, entrou com um pedido de recuperação judicial no valor de quase R$ 16 milhões. Mais precisamente: R$ 15.644.138,72.

Com isso, diz Malafaia à reportagem, só sobraram 120 dos cerca de 300 funcionários que mantinha na folha de pagamento. Ele culpa a crise financeira “causada pelo PT” pela situação da Central Gospel, que tem mais de 650 títulos em seu catálogo, todos voltados ao consumidor evangélico – como a “Bíblia da Turma do Cristãozinho” para os pequenos, ou “31 Segredos de uma Mulher Inesquecível” para as fiéis.Na petição inicial enviada no dia 19 de junho à Vara Empresarial do Rio, os advogados de Malafaia defendem a ideia de uma empresa com “forte cunho social” que “chegou a ser intitulada como a 2ª maior editora cristã em atuação no Brasil”, atrás apenas de uma a serviço das Assembleias de Deus. Destacam ainda, como exemplo de “sua grandiosa expressão no mercado gospel”, parcerias da editora com grandes redes como Avon, Prezunic e Amazon.Bíblias são o maior filão da casa. Uma delas chegou a vender, anos atrás, cem mil exemplares em cinco meses. A tiragem inicial de um livro, no país, costuma ser de 3.000 cópias.Tudo ia bem até 2014, quando a Gospel teve faturamento, ainda segundo advogados de Malafaia, de R$ 51 milhões. Mais do que triplicou os R$ 15 milhões de 2000. Os tempos mudaram. Malafaia diz que, em 2018, as vendas da Central Gospel equivaleram a 30% da cifra atingida quatro anos antes. A empresa cita perdas de R$ 104 milhões com a queda da receita entre 2015 e 2018. Na última trinca de anos, a Gospel apontou prejuízo acumulado de R$ 4,3 milhões, gerando aumento da dívida bancária e atraso junto aos fornecedores.A companhia lista dívidas trabalhistas de R$ 1,5 milhão, R$ 2 milhões com credores em pessoa jurídica e R$ 12,1 milhões com outros tipos de credores. Isso totaliza R$ 15,6 milhões em débitos com mais de 200 pessoas ou empresas.
A Gospel anexou mais de 1.700 páginas de documentos ao processo para explicar sua situação. Num deles, culpa as suscetíveis desacelerações econômicas no país e a mudança no comportamento do consumidor, que migrou para mídias sociais e serviços de streaming.

“Assim como dezenas de outras sociedades que atuam no segmento editorial, [a Central] sofreu e sofre forte abalo com o advento da tecnologia”, diz a petição apresentada à Justiça. 
A crise econômica lascou tudo de vez e fez a empresa “adotar medidas que são costumeiras no meio empresarial, dentre as quais, buscar captar recursos através de empréstimos com instituições financeiras”.
Em vídeo, o líder da carioca Assembleia de Deus Vitória em Cristo explica ao “povo abençoado do Brasil” o que é o “instrumento legal da recuperação judicial”. Sua empresa, continua, seguiu o mesmo caminho de gigantes como a telefônica Oi ou a rede de livrarias Saraiva. “Estou dando uma explicação a você porque o império da maldade é muito grande.”
“Vou dizer qual é a história”, afirma Malafaia à reportagem. “Se o camarada tá com pouco dinheiro, na cabeça dele o livro passa a ser supérfluo. Qual o produto de maior venda da editora evangélica? A Bíblia. Se o cara tá com pouco dinheiro, por que vai comprar uma nova?”.
No dia 25 de junho, a juíza Maria Cristina de Brito Lima deferiu a solicitação de recuperação judicial, aceitando os argumentos da editora.
Após a decisão, a Gospel ingressou com um pedido para que Bradesco, Brasil e Caixa Econômica Federal sejam notificados a fim de não efetuar qualquer tipo de bloqueio e retenção nas suas contas e aplicações financeiras. A editora tem dívidas em cartões e cheques desses bancos e, por isso, não conseguia mexer nas contas bancárias.
Malafaia havia tentando pedir um empréstimo de R$ 12 milhões ao Bradesco, onde tem conta, mas não conseguiu. Daí recorrer à Justiça.
O pastor diz que essa foi a única saída que viu. Temia que, se não pagasse um credor, a falência acabasse sendo inevitável. “Só tem um caminho, pedir recuperação judicial pra não ir no pau todo mundo.
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