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Confira experiências de projetos reais que conseguiram aproximar a relação entre família e escol

“Esse tipo de atitude traz alegria no coração, nos faz sentir pessoas amadas, valorizadas, igual e sem preconceito, nada mais que amor ao outro sem distinção de cor e raça”. As palavras, escritas em letra cursiva em um português recém-aprendido sobre um papel cor-de-rosa, vieram de uma mãe haitiana. Ela direcionou os elogios à equipe da Escola Municipal Professor Waldir Garcia, que atende alunos do Ensino Fundamental I, entre os quais uma comunidade de migrantes em Manaus (AM).

A atitude a qual essa mãe se refere é o fato de os funcionários da escola terem se disponibilizado a estudar, fora do horário de trabalho, o crioulo, idioma falado no Haiti. Lúcia Cristina Cortez, diretora da escola que não conteve as lágrimas quando leu a carta, conta que essa foi uma maneira encontrada pela equipe escolar de se aproximar das famílias dos alunos que, em grande parte, são estrangeiras. “A gente estuda porque a gente quer conversar com eles, quer se aproximar, quer vencer uma barreira da língua”, conta a diretora.

A aproximação com as famílias dos alunos é um desafio que transborda a barreira da língua. É muito comum que famílias e escolas sem um diálogo próximo acabem buscando “culpados” dentro dessa relação para o fracasso escolar dos alunos – o que cria um clima tenso entre essas duas pontas e uma relação pouco propícia à cooperação e à parceria.

De quem é o primeiro passo na relação?
Beatriz Cortese, gerente de Construção de Tecnologias Educacionais do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) explica que o primeiro passo para melhorar essa relação deve vir da escola. A equipe gestora, geralmente, tem a sensação de que os pais e responsáveis não valorizam a escola. Entretanto, em muitos casos, eles apenas não sabem como agir. “Pouquíssimas são as famílias que não se importam com a escola e que não ligam para os filhos. O que acontece com a maioria das famílias é que elas não sabem o que fazer com as demandas que chegam para elas das escolas”, afirma a especialista.

Menos dedos apontados e mais mãos entrelaçadas
Quando Beatriz fala das demandas que as escolas depositam sobre os pais, ela se refere ao fato de que, no geral, as escolas só chamam as famílias dos alunos para conversar quando há algum problema de aprendizagem, rendimento ou comportamento. Segundo ela, isso acaba criando uma relação muito tensa entre dois lados que deveriam, na verdade, andar de mãos dadas.

A especialista afirma que muito melhor que apontar dedos aos pais sobre o que eles deixam de fazer em relação à Educação dos filhos, é explicar em quais aspectos a escola precisa dessa parceria e, principalmente, saber respeitar os limites da família. “O pedido tem que ser proporcional à possibilidade de ajuda do outro, senão o outro se engessa e aí ele deixa de fazer qualquer coisa”, explica Beatriz. Para tal, é preciso conhecê-la. “Deve sempre ser um diálogo: quais são as minhas possibilidades, quais são as suas possibilidades e qual é o caminho a gente vai encontrar juntos”.
A especialista também aponta que ações simples da família, como mostrar para as crianças que os responsáveis valorizam o trabalho da escola, perguntar o que as crianças estão lendo (mesmo que não seja uma demanda da escola) e os ajudar a ter momentos na rotina dedicados à escola (como a lição de casa) já faz diferença na relação com a escola.
A aproximação entre escola e família deve partir de toda a escola, e não apenas da equipe gestora. Desde o funcionário que recebe as crianças e responsáveis na porta da escola, até a direção, passando por cada um dos professores: todos devem estar engajados em realizar essa aproximação com os pais dos alunos. “Cabe ao diretor liderar essa proposta, mas o projeto tem que ser da escola inteira”, afirma Beatriz.

Parceria com as famílias muda a rotina da escola para melhor


Foi exatamente assim, com toda a equipe unida, que o ambiente da Escola Estadual José De Alencar Cardoso, de Ensino Fundamental II, na periferia de Aracaju (SE), mudou completamente. Antes da mudança que a escola passou, ela era conhecida no bairro por ser um “caso de polícia”, já que, não raro, crimes aconteciam na unidade. A comunidade não via a escola com bons olhos, o que gerava um afastamento das famílias, causando dificuldades para os alunos.

Por volta de 2014, quando a escola passava por uma troca de gestão, os professores resolveram se unir e chamar os pais dos alunos para ajudarem na melhoria da escola. “Nós, professores, precisávamos envolver os pais para lutar com a gente. A gente chamou os pais na escola, mostrou o que estava acontecendo, o descaso que estava na estrutura, em material escolar. Então, ganhamos a confiança deles”, lembra Paloma Silva Santos, professora de Geografia da escola.

A relação com a família também acontece na sala de aula
A partir dessa luta conjunta e da confiança estabelecida,  o clima na escola melhorou, abrindo espaço para novos projetos. Em 2015, um projeto realizado por Paloma com os alunos do 7º ano rendeu a ela o Prêmio Educador Nota 10, o que estimulou ainda mais a confiança dos pais com a escola. Entretanto, mais do que trazer orgulho para o bairro todo, o projeto desenvolvido por Paloma foi responsável por aproximar a escola das famílias e da comunidade.

Identificando que grande parte dos responsáveis tinham como renda a feira e que muitos dos alunos também trabalhavam como feirantes e, por isso, eram alvo de piadas dos colegas, Paloma decidiu trabalhar a feira como espaço social dentro do seu componente curricular. As relações de trabalho, a história local, questões socioeconômicas e a comunidade foram discutidas. “O projeto foi importante para o sentimento de pertencimento àquela comunidade, àquela escola, estimulando uma relação de parceria”, diz a professora.

De 2015 para cá, muitos outros projetos foram implementados na E.E. José De Alencar Cardoso, em um esforço coletivo da equipe escolar para aproximar os responsáveis. Hoje, a escola é aberta para eventos da comunidade, a violência diminuiu e o ambiente de aprendizado melhorou bastante. Até as pichações, muito recorrentes no espaço, acabaram. Depois de um projeto com alunos envolvendo artistas do bairro, os jovens aprenderam a grafitar e trocaram as pichações nos muros por desenhos e mensagens.

Escola de portas abertas
Assim como a escola em que Paloma leciona, a dirigida por Lúcia em Manaus também passou por grandes mudanças em relação às famílias. Antes, o ambiente escolar era bastante autoritário, prezando pela disciplina em primeiro lugar. Quando a equipe percebeu que precisava mudar de postura, a ajuda dos pais foram a peça chave para a construção de novo projeto pedagógico da escola.

Na Escola Municipal Professor Waldir Garcia, os pais ajudam no que podem, desde a horta, a cozinha e as pequenas manutenções até o desenvolvimento de atividades com os alunos e a ajuda em tutorias. Os portões do espaço, que ficam abertos o dia todo para quem quiserem entrar para ajudar, também são uma ótima metáfora para a equipe escolar: sempre aberta para receber as famílias.

Lúcia conta que, entre os funcionários da escola e os pais dos alunos, a conversa é mesmo como em uma grande família: “Tem um problema? Qual a solução? Vamos juntos resolver”, conta.

Um projeto no qual as famílias estão muito envolvidas é com as tutorias. Cada aluno da escola tem um tutor para o acompanhar no aprendizado. Dentre os tutores, estão funcionários da escola (desde serviços gerais até a diretoria) e alguns pais de alunos. “A nossa tutoria é uma roda de conversa com o objetivo de estabelecer um vínculo, uma relação de amizade, para que a gente conheça a criança e possa dar um acompanhamento individual que não seja conteudista”, explica a diretora.

Para além dessas parcerias específicas entre a escola e as famílias, os portões abertos também permitem muitos outros contatos ricos entre as partes. “Os pais não estão acostumados a terem os portões abertos e viverem a rotina da escola. As escolas se fecham muito. Na maioria das escolas, o pai não pode nem entrar para deixar a criança”, relata.

Quais são as barreiras para se aproximar das famílias?
Embora se orgulhe do resultado que tem hoje, Lúcia admite que tomar os primeiros passos para essa aproximação com as famílias não é exatamente uma tarefa fácil. Ela conta que uma das principais dificuldades do processo inicial é desenvolver um olhar empático dos funcionários para com os alunos e as famílias.

É o caso, por exemplo, das aulas de crioulo ou das reuniões de pais, em que a equipe costuma marcar em horários melhores para as famílias – o que pode acabar envolvendo finais de semana ou um tempo do professor fora do horário regular. “O aluno precisa ser o centro da escola. Então, eu não posso fazer o que é melhor para mim, no individual, mas o que é melhor no coletivo, para todos”, argumenta Lúcia.

Para ela, outro grande passo é desburocratizar os momentos de diálogo com as famílias, usando muito do contato do dia a dia, sem depender tanto de momentos institucionalizados, como as reuniões agendadas.

Para Beatriz, esses momentos menos burocráticos podem realmente funcionar para criar uma aproximação com as famílias. E, para as escolas que estão dando os primeiros passos nessa trajetória de aproximação, não é necessário uma atitude tão grande quanto deixar os portões abertos. Começar com ações simples já funciona. “Muitas escolas deixam que os pais até 4º ano entrem na classe para deixar os filhos. Nessa entrada na classe para deixar o filho, eles já cumprimentam os professores, eventualmente conversam alguma coisa”, exemplifica a especialista.

Para além disso, Beatriz diz que as escolas podem pensar em mais momentos nos quais os pais poderiam estar presentes na escola, além das tradicionais reuniões de pais e festas juninas. Como exemplos, a especialista diz que as famílias podem ser convidadas para jogos e gincanas, além de participarem de apresentações de trabalhos dos alunos, incentivando o aprendizado.

Apesar de aconselhar que existam mais momentos de colaboração entre escola e família, Beatriz diz que uma reunião de pais bem planejada já é um bom passo para essa aproximação. “Esses momentos institucionalizados podem ser super importantes, só que não basta que eles existam formalmente, precisa ser feito a partir de coisas muito práticas”, afirma Beatriz.

Para planejar uma reunião mais atrativa às famílias:

  1. Considere os horários dos responsáveis. Se a reunião tem baixa aderência, talvez seja pela inviabilidade dos pais deixarem suas tarefas de trabalho, domésticas e familiares (como cuidar de filhos menores) no horário estabelecido pela escola.
  2. Envolva os alunos na construção da reunião, sobretudo no convite. Com crianças mais novas, é possível pedir que elas escrevam os bilhetes convidando os pais para o momento. Com os alunos mais velhos, é interessante pedir que eles escolham um trabalho para expor durante a reunião, o que estimula tanto o aprendizado quanto a presença da família.
  3. Não se limite à entrega de notas. Estabeleça diálogo com os pais, mostrando realmente o que está sendo ensinado.


Existem limites para a relação entre famílias e escola?
A parceria entre famílias e escola geram um ambiente muito mais harmonioso e estimula o aprendizado e desenvolvimentos dos alunos. Mas há um limite para esse relacionamento?

Beatriz esclarece que a equipe escolar deve ter sempre em mente que a definição do currículo é papel da escola, assim como a proteção e não-exclusão de todos os alunos. A partir disso, tudo o que vier de opiniões dos pais deve ser filtrado. “Ao ter muita clareza dos compromissos sociais, a escola vai dar alguns limites para as opiniões dos pais”.

Para Lúcia, que convive diariamente com as famílias dos alunos, o limite está diretamente relacionado com a autonomia das crianças. Por mais que os pais estejam presentes na escola por muito tempo, eles não devem interferir negativamente no desenvolvimento de seus filhos. “Na escola, ele não é pai, mas está nos ajudando no todo. Tem que olhar todas as crianças, não só o filho dele. E não pode interferir na autonomia do filho, porque aí ele não vai ajudar, mas atrapalhar. Esse limite a gente tem que ter”, afirma a diretora.

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