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José Múcio, ex-presidente do TCU, em entrevista aos jornalistas Roseann Kennedy (SBT) e Edson Sardinha (Congresso em Foco) no programa Poder em Foco. Foto: SBT

José Múcio, ex-presidente do TCU, em entrevista aos jornalistas Roseann Kennedy (SBT) e Edson Sardinha (Congresso em Foco) no programa Poder em Foco. Foto: SBT

Sob o argumento de que era preciso pressa na liberação da verba pública ou várias pessoas morreriam, gestores corruptos se aproveitaram da luta contra a covid-19 para fraudar os cofres públicos. “Esse vírus chegou aqui e retroalimentou um velho conhecido nosso, que vem do império, que é o vírus da corrupção”, afirmou o ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro José Múcio, em entrevista ao Poder em Foco, no SBT, neste domingo (27). 

Desde o início da pandemia, o TCU já abriu mais de 170 processos para checar a regularidade dos gastos. Múcio destacou que o mal intencionado não tem partido e possui vários sotaques. “Esse povo que vive enganchado no governo para tirar proveito telefonava e dizia: olha, se o tribunal não decidir isso hoje, vai morrer gente. Então, imagina como era o drama”, lamentou. Sem citar nomes, Múcio contou que até deputados e senadores sugeriram o “liberou geral”. “É para comprar respirador? Libera qualquer preço. É pra comprar máscara, libera qualquer preço, avental, remédio… Não!”, contrapôs-se. Ele explicou que o Tribunal de Contas lançou o programa Coopera e liderou um movimento dizendo que durante a pandemia todas as ações do coronavírus seriam separadas, mas analisadas posteriormente. “Todos serão fiscalizados. Alguns serão chamados a posteriori achando que foram esquecidos ou que passaram desapercebidos”, alertou. Em 2020, devido à situação de calamidade, o Congresso Nacional aprovou um orçamento de guerra e as contas da pandemia foram postas numa conta diferente. Isso vai exigir do TCU trabalho dobrado em 2021 para analisar dois orçamentos – o de guerra e o geral da União. “Na guerra é tudo diferente. O tribunal vai ter que se adaptar, vai ter que entender as justificativas, nós vamos discutir caso a caso, evidentemente, nós somos guardiões dos orçamentos da república”, comentou. Para José Múcio, a pandemia não pode ser usada como desculpa para o governo ter autorização para furar o teto de gastos e o TCU não será mais maleável nas exigências. “Você é casado? É a mesma coisa que você chegar em casa perguntar a sua mulher – nesta semana eu posso lhe trair? A regra é não trair. Então, nós somos pagos para não permitir isso, é isso que faz com que nós não aprovemos as contas”, comparou. O ministro disse que numa análise política da situação pode até ser que alguns considerem normal, mas avisou que os técnicos não acham. “Se isso for permitido uma vez, qual é a autoridade que você tem para que não seja permitido para sempre? Aí cada um vai ter um modelo de prestação de conta na sua cabeça”,concluiu.

Vida pública

José Múcio, 72 anos, foi deputado federal cinco vezes, ministro de Relações Institucionais e líder do Governo na Câmara dos Deputados na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele teria mais três anos de mandato, até a aposentadoria compulsória, mas vai deixar o cargo nesta semana, em 31 de dezembro.O ex-presidente do TCU afirma que também vai deixar a vida política. Não vai mais disputar eleições e nem quer cargo no governo. Em 3 de dezembro, o presidente Jair Bolsonaro fez um convite informal para ele assumir um ministério. “Zé Múcio, me permite, eu sou apaixonado por você. Gosto muito de Vossa Excelência. Se a saudade lhe bater, venha para cá, estará entre nós, pode ter certeza, no nosso primeiro time”, afirmou o Bolsonaro na ocasião. José Múcio disse que se sentiu honrado, mas que jamais poderia aceitar. “Sabe qual era a pergunta que você ia me fazer, se eu aceitasse? Vocês iam dizer, então, houve uma negociação com o governo para o senhor se aposentar antes de ser ministro. Eu não ia provar nem a mim que não negociei”, argumentou. Mas, pela amizade que tem com o presidente da República, de quem foi colega de Congresso desde 1991, Múcio disse que pode ser um conselheiro, um colaborador afetivo. Perguntado se Bolsonaro deveria se envolver com a eleição para as presidências da Câmara e do Senado, deu uma dica para o presidente avaliar se valem a pena os riscos. “Atuando você vence, elegeu um amigo, quando você perde, construiu um desafeto. E toma tempo construir pontes com desafeto. Mas é muito temperamento. Eu se fosse presidente da República, o presidente seria o que o Congresso escolheu, que a Câmara escolheu. Os poderes são independentes”, finalizou. 

Poder em Foco

Poder em Foco vai ao ar todo domingo, logo após o Programa Silvio Santos. É apresentado pela jornalista Roseann Kennedy, que semanalmente recebe um jornalista convidado. Nesta semana é Edson Sardinha, editor-executivo do Congresso em Foco.