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REFLEXÕES DO PASSADO E PRESENTE: PERSPECTIVA DE MELHORA PARA O FUTURO


 

O ataque à Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na região metropolitana de São Paulo, na manhã desta quarta-feira, que deixou ao menos 10 estudantes e funcionários mortos, soma-se a centenas de outros massacres com desfechos parecidos pelo mundo. Afinal, por que a escola é o alvo escolhido por esses atiradores? Os autores do massacre de Suzano foram identificados como ex-alunos da escola. Segundo especialistas, é comum que autores desse tipo de crime tenham uma ligação com a instituição que é atacada.

Uma série de outros fatores, que incluem transtornos mentais, e que variam em cada caso, também são considerados ao analisar o que leva alguém a entrar, especificamente, em uma escola atirando.

No Brasil, o histórico de assassinatos em massa nas escolas é recente — um dos casos de maior repercussão foi o de Realengo, no Rio de Janeiro, em 2011. Nos Estados Unidos, onde há registros desde os anos 1940, psicólogos, como Peter Langman, se dedicam a estudar atiradores em escolas há décadas. Lá, o número de ataques em massa vem crescendo. No país, entre 1966 e 1975, aconteceram três casos. Entre 2006 e 2015, o número subiu para 19. Peter, autor de dois livros sobre o tema, é considerado um dos maiores especialistas sobre massacres em escolas. “Geralmente, atiradores escolhem as escolas onde estudam ou já estudaram”, afirma, em entrevista à NOVA ESCOLA. “É o local que ele conhece, fez parte da vida dele, é o que está na memória. É lá também que pode ter surgido problemas ou conflitos com professores, funcionários ou colegas”, afirma. Pelas análises, ele afirma que os atiradores miram, geralmente, funcionários, alunos, mulheres, rivais ou colegas que invejavam. Segundo o psicólogo, não há um perfil específico para esses atiradores, mas todos são diagnosticados com transtornos e doenças mentais. “Uma das categorias que criamos analisa o assassino traumatizado. São pessoas com histórico familiar terrível e que já sofreram eventos traumáticos, estresse crônico ou abuso”, diz. O psiquiatra forense Guido Palomba, conhecido por trabalhar em casos criminais de repercussão nacional, concorda: em tragédias como a de Suzano, os autores do crime, geralmente, têm alguma ligação com a escola. “Eles têm alguma coisa, podem ter sido expulsos, podem ter passado na porta e visto ou ouvido alguma coisa, não se sabe qual é o motivo”, diz o médico. “Ele ter feito da escola o palco disso foi circunstancial, se ele trabalhasse no metrô, por exemplo, poderia ter escolhido o metrô como alvo”, afirma Guido. Guido, no entanto, diz que não há uma lógica por trás ou que a escola pode ser culpada pelo acontecimento. “Não existe lógica. A escola não é fator predisponente (que cria as condições), não é a causa do fato, a causa do fato é a loucura”, diz o médico.

Um massacre pode levar a outro

Um outro motivo que pode levar atiradores a escolher escolas é o chamado efeito “copy-cat” (copiador, em inglês), termo criado por Peter. Ele afirma que vários assassinos citam casos anteriores de massacres em escolas, como o de Columbine, em 1999, nos Estados Unidos, como “inspiração” para agirem também nesses locais. Já que os casos de tiroteios em massa ganham repercussão nacional, Langam afirma que a imprensa deve ter cuidado ao fazer a cobertura jornalística desses fatos.

O que as escolas podem fazer?

Segundo Peter, atiradores que atacam outros lugares públicos, como restaurantes, estádios ou salas de cinema, onde há um grande número de pessoas, também se enquadram em diagnósticos psiquiátricos parecidos. “Muitos fatores precisam se cruzar para uma pessoa cometer um crime como esse”, diz. Ele afirma que o bullying por si só não motivaria um assassinato em massa. Afinal, a vasta maioria das vítimass não comete crimes como esse. “A escola pode, no entanto, diagnosticar os sinais de alerta e fazer uma intervenção”, diz.

Antônio Zuin, professor do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e autor do livro “Cyberbullying contra Professores”, reforça o papel da escola para mediar conflitos e prevenir futuros casos de violência: “Quando um aluno xinga o outro e o professor vê e continua dando aula, essa atitude estimula o preconceito e a reprodução de sentimentos ruins dentro do aluno agredido”.

Para ele, o aluno que é agredido pode reprimir seus sentimentos de frustração. Em uma sociedade que valoriza cada vez mais a cultura bélica, isso pode levá-lo a decidir os conflitos pela violência. “O professor precisa interromper a aula e conversar sobre o que aconteceu. Aí temos uma chance de a escola prevalecer sobre a bala”.

Nos Estados Unidos, acesso a armas é debatido

De acordo com reportagem do jornal americano do The Washington Post, desde 1999, crianças e adolescentes foram os autores de 145 tiroteios dentro de escolas americanas. Ao menos 80% das armas vieram de suas casas ou eram de amigos ou parentes.

Em artigo, a professora Eva Paulino Bueno, da St. Mary’s University, no estado americano do Texas, defende que o acesso facilitado a armas somado a uma dificuldade de jovens resolverem conflitos pode ter consequências trágicas.

“Quem comete esse tipo de assassinato é uma pessoa que dificilmente tem condições de refletir sobre as consequências dos seus atos, e procura resolver qualquer tipo de contradição interna por meio de situações extremas e imediatas”, reflete Antônio.

novaescola

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