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Arroz       Tigela de arroz: preço do grão subiu 3,08% em agosto, segundo o IBGE

Foto: Pille-Riin Priske/Unsplash

Comprar e comer arroz se tornou uma tarefa bem cara nos últimos tempos. Bem cara mesmo. Hoje, se paga, em média, R$ 25 por um pacote do grão de cinco quilos, sendo que em outros tempos era facilmente encontrado por R$ 15. Há locais em que o pacote é vendido a R$ 30. E se já está difícil agora, pode se preparar: os preços devem continuar altos e até aumentar. Segundo dados da Esalq, ligada à Universidade de São Paulo, o preço da saca de arroz de 50 quilos teve um aumento de 116% desde o início do ano. No último mês, a alta foi de 42%. Ou seja, os produtores estão sorrindo à toa. Os consumidores, por sua vez, não estão. Se fosse apenas o arroz, no entanto, a conta não ficaria tão cara. A cesta básica como um todo teve alta e esse aumento de preços chegou a 13 das 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em São Paulo, em agosto, a cesta básica teve uma alta de 2,9%. Nos últimos doze meses, a alta foi de 12,15%. Percentualmente, no entanto, a maior alta mensal ocorreu em Vitória (5%) e nos últimos doze meses em Recife (21,4% de alta).

Os números foram comprovados com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (9). Atrás apenas do setor de transportes, os alimentos voltaram a ser pressionados no mês de agosto e apresentaram alta significativa. Os alimentos para consumo no domicílio, por exemplo, tiveram alta de 1,15%, puxados, principalmente, por componentes básicos da alimentação da população. Entre as maiores valorizações, o IBGE mostra a alta no valor do tomate, com 12,98%, do leite longa vida, 4,84%, das frutas, 3,37% e das carnes, com 3,33%.  “O arroz (3,08% em agosto) acumula alta de 19,25% no ano e o feijão, dependendo do tipo e da região, já tem inflação acima dos 30%. O feijão preto, muito consumido no Rio de Janeiro, acumula alta de 28,92% no ano e o feijão carioca, de 12,12%”, avalia Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE.O aumento dos preços de alimentos nos mercados vêm levantando preocupações e, de acordo com o presidente Jair Bolsonaro, o governo estuda medidas para dar uma resposta, mas descartou qualquer tipo de tabelamento.

Mas por que isso acontece?

E existem quatro grandes motivos para que essas altas tenham acontecido. O primeiro foi a mudança de comportamento do consumidor, que deixou de comer fora para cozinhar em casa, o que fez a demanda por produtos da cesta básica crescer. A demanda internacional por alimentos também causou alta dos preços. A China, principalmente, decidiu aumentar o nível de estoque de alimentos. Isso fez com que o valor de diversos produtos aumentasse – e bastante.  Além disso, o aumento de renda do brasileiro, muito puxado pela distribuição do auxílio emergencial, ajudou a população a ter mais acesso a alimentos – o que aumentou a procura sem, necessariamente, haver demanda suficiente para isso. Por último, o dólar valorizado frente ao real fez com que os produtos brasileiros ficassem mais baratos para exportação. Inclusive, ajudou a abrir novos mercados para os produtores brasileiros – até mesmo os de arroz.  “Essa mudança de patamar de preço vai se manter e mesmo assim não enxergo o arroz como um produto caro”, diz Alexandre Velho, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). “Uma família de quatro pessoas gasta R$ 20 para se alimentar a semana inteira, enquanto um refrigerante custa R$ 7.”Por causa da alta dos preços, a Associação Brasileira de Procons pediu ao ministro da Economia, Paulo Guedes, o monitoramento das exportações. E disse estar de olho para evitar que haja reajustes muito altos nesse período de pandemia.  Por meio de uma carta, a associação afirma que faz o “acompanhamento e o monitoramento dos mercados, com adoção de medidas adequadas que garantam a defesa do consumidor, através do reequilíbrio entre as exportações e abastecimento do mercado interno”.

Produtores sorrindo 

Muito concentrada no Rio Grande do Sul, a produção de arroz no Brasil sempre foi vista como menos competitiva às de países como Uruguai, Argentina e Paraguai.Porém, com a alta da demanda pelo produto, os produtores até passaram a aumentar as áreas de plantio para o arroz, que estava perdendo espaço para outros produtos mais rentáveis, como soja e milho. De 2015 a 2018, a redução do espaço para plantio do arroz foi de 9%. Para este ano, é esperada uma expansão de até 5%. “Podemos expandir para novos mercados, dependendo de como o dólar se comportar”, diz Velho, da Federarroz.  Segundo dados do Ministério da Economia, as exportações de arroz sem casca, processado pela indústria de transformação, subiram 58,1% este ano até agosto na comparação com o mesmo período de 2019, totalizando US$ 276,9 milhões. As exportações para a África do Sul entraram no mapa, tendo chegado a US$ 9,6 milhões, ante nenhuma venda em igual período do ano passado. As vendas para os Estados Unidos também subiram 233,2%, a US$ 18 milhões.  Os principais destinos das vendas do produto brasileiro, contudo, foram Peru (US$ 42,6 milhões) e Venezuela (US$ 35,6 milhões). Para o Peru, as exportações subiram 28,9% e para a Venezuela, 165,5%. As importações de arroz processado, por outro lado, caíram 11,4% nos oito primeiros meses do ano, a US$ 135,6 milhões. Para dar conta da demanda interna, o governo vai zerar a tarifa de importação para 400 mil toneladas de arroz.“Com isso, o mercado vai se equilibrar e a gente afasta o risco de um possível desabastecimento”, disse Tereza Cristina, ministra da Agricultura, em entrevista à CNN.

Diante de números tão positivos, os produtores de arroz estão muito longe de reclamar dessa decisão que beneficia os seus competidores. 

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