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REFLEXÕES DO PASSADO E PRESENTE: PERSPECTIVA DE MELHORA PARA O FUTURO


 

Em meio às turbulências política e econômica, o brasileiro vê, pela primeira vez, políticos e representantes da elite empresarial sendo presos e condenados por crimes de corrupção. E além da turbulência política, agravada pelo afastamento de uma governante eleita democraticamente e pelas denúncia de corrupção não apenas de líderes políticos, como do próprio presidente da Câmara dos Deputados, o desemprego no país chega a 11,2% e mostra as dificuldades também no plano econômico. Diante deste cenário  de credibilidade dos governantes em xeque e de falta de perspectivas para a população, o que esperar? Qual a saída para o povo e para o país?

“Esse quadro de crise das instituições políticas e de profunda crise econômica gera muita insegurança”, comentou o professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, Paulo Baía. Para o cientista social, no entanto, o brasileiro quer interferir na vida política, como nunca antes. “A população quer participar mais da política, quer a radicalização da democracia. Essa sinalização é muito clara. Percebo que há uma vontade de uma democracia diferente desta, que é restrita. Os brasileiros não mais acreditam nesse sistema político-eleitoral”, afirmou.

A desconfiança em relação às instituições não é de hoje e não se configura apenas no Brasil. “A população está cada vez mais alheia e hostil ao modelo de democracia que existe no continente. Há um desgaste da população em relação à institucionalidade política e aos partidos”, explicou o professor Roberto Romano, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.

Congresso Nacional, em Brasília

Para o filósofo, as injustiças que ocorrem no cotidiano são um dos motivos para o descrédito das instituições do Estado brasileiro. “Em nenhum país do mundo há tantos privilégios para quem exerce o poder. Não conheço outro lugar do mundo em que existe uma frota de carros à disposição de representantes políticos, de vereadores a ministros, por exemplo. A marca do privilégio faz com que, no cotidiano, não se acredite na real intenção dos governantes. Fica dado que eles se beneficiam às custas da população. O cidadão comum que rouba não tem nada feito em seu favor. Já o parlamentar que desvia milhões tem o privilégio de ser julgado pelo STF. Isso é um tapa no rosto do brasileiro”, argumentou Romano.

Para o professor universitário, a política institucional brasileira precisa de mudanças mais profundas que a simples troca de representantes: “Nas sessões da Comissão de Ética, os deputados se chamam de ‘canalhas’, debocham, faltam com respeito. No Conselho de Ética não há ética nenhuma. Eles não se importam com a moral pública. A estrutura é pervertida. Não adianta mudar presidente da República nem cassar mandato do presidente da Câmara”, salientou Romano.

O cenário, no entanto, não é de puro pessimismo. Ainda que a passos lentos, as reformas necessárias ocorrem, de acordo com o filósofo: “Já melhorou bastante. A Lei da Improbidade Administrativa já puniu 40% dos acusados. Diante de 500 anos de impunidade é bastante coisa, não é? Temos agora a Lei da Ficha Limpa, a Lei da Transparência… Esses são alguns passos no sentido da democracia”.

O jurista Dalmo Dallari acredita que sejam necessárias duas mudanças no sistema político do Brasil. Para ele, Poder Legislativo federal precisa ser unicameral e os votos têm que ser distritais. “O Senado não tem razão de existir porque ele aparece como representante dos estados, mas o Brasil nunca teve estado. O que existiam eram províncias que mudaram de nome. Os senadores, hoje, representam grupos locais, grandes famílias. Outra necessidade são os distritos eleitorais. O candidato seria votado em área menor e o povo conheceria os seus antecedentes. Da maneira atual, há um desligamento do candidato e o povo. Falta representação”, disse o advogado.

* do projeto de estágio do JB

http://www.jb.com.br

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