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Profissionais de saúde em hospital em Seattle, EUANova variante do Sars-CoV-2 foi identificada no interior de São Paulo e tem o nome de P.4 (Foto: Fusion Medical Animation)

Variante Delta se dissemina com facilidade mesmo entre pessoas vacinadas

Variante Delta se dissemina com facilidade mesmo entre pessoas vacinadas

Variante delta é tão contagiosa quanto vírus da catapora, alerta documento do CDC (Foto: Fusion Medical Animation)

De acordo com um documento interno do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, a variante delta (B.1.617.2) do novo coronavírus é capaz se espalhar tão facilmente quanto o vírus da catapora e pode causar um quadro de Covid-19 mais grave do que as cepas registradas em momentos anteriores da pandemiaO relatório foi obtido pelo jornal norte-americano The Washington Post no formato de uma apresentação de slides. Conforme publicou o veículo, um dos profissionais do CDC afirmou que os dados dos estudos mencionados no documento devem ser disponibilizados ainda nesta sexta-feira (30).Um dos slides estava atrelado ao aumento de casos no condado de Barnstable, no estado de Massachusetts. O órgão federal de saúde dos EUA divulgou a pesquisa, revelando que, entre 3 e 17 de julho de 2021, foram registrados 469 casos positivos de Covid-19. Desses, 346 (74%) foram pessoas vacinadas e, sendo que em 133 indivíduos foi identificada a variante delta. As informações de estudos recentes sobre surtos de Covid-19 mostram que pessoas vacinadas, uma vez contaminadas com a variante delta, podem transmitir o vírus com tanta facilidade quanto aquelas que não foram imunizadas. Além disso, observou-se que os vacinados apresentaram uma carga viral similar ao restante dos indivíduos.

Variante delta é tão contagiosa quanto vírus da catapora, alerta documento do CDC (Foto: Reprodução Twitter/@DataDrivenMD)
Slide mostra que variante delta é mais transmissível do que a cepa ancestral do Sars-CoV-2 e os vírus que causam Mers, Sars, Ebola, resfriado comum e gripe sazonal (Foto: Reprodução Twitter/@DataDrivenMD)

“Apesar de ser raro, nós acreditamos que, a nível individual, os vacinados podem transmitir o vírus, e foi por isso atualizamos a nossa recomendação”, explicou um integrante do CDC, sob a condição de anonimato, referindo-se à diretriz que volta a solicitar o uso universal de máscaras em espaços fechados nas regiões com alta transmissão — em maio, o órgão havia dispensado a proteção para quem estivesse com o esquema vacinal completo contra o Sars-CoV-2.Um dos slides constata ainda que o risco de hospitalização e morte em decorrência da variante delta é maior entre os mais velhos, independentemente do status de vacinação, e em pacientes com problemas imunológicos. As estimativas também indicam que há aproximadamente 35 mil infecções sintomáticas por semana entre os 162 milhões de norte-americanos imunizados.

Desafio norte-americano

O documento reflete um dos grandes obstáculos dos Estados Unidos para controlar a pandemia: fazer com que a vacinação seja aderida em massa. Os slides destacam que o CDC deve continuar enfatizando a eficácia dos imunizantes na prevenção de casos severos e de mortes e, ao mesmo tempo, informar à população que surtos de infecções leves talvez não sejam tão raros e que indivíduos vacinados ainda podem transmitir o vírus. O material evidencia que os imunizantes fornecem uma proteção expressiva contra o Sars-CoV-2 e que é dever do órgão de saúde norte-americano “aprimorar a comunicação quanto ao risco individual entre os vacinados” e que essa possibilidade depende de outros fatores, como a idade e o sistema imunológico de cada um. Para Kathleen Neuzil, especialista em imunizantes da Escola de Medicina da Universidade de Maryland entrevistada pelo The Washington Post, vacinar o máximo de pessoas possível ainda é uma prioridade. E, junto a essa medida, é importante que todos entendam que a humanidade ainda vai conviver com o Sars-CoV-2 por um bom tempo. “Nós realmente precisamos mudar o foco para a prevenção de quadros graves, deficiências e consequências médicas, e não nos preocuparmos com todos os vírus detectados no organismo de alguém”, diz Neuzil. “É difícil, mas acredito que devemos nos conformar com a presença do coronavírus”, finaliza.

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